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Gilcimar Costa dos Santos
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Civilizações Mesoamericanas
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Flashcards
Flashcards: Os maias
Na Mesoamérica, os maias, descendentes de povos caçadores-coletores nômades, começaram a formar pequenas vilas na Península de Iucatã (no território correspondente ao dos atuais
México, Honduras e Belize e da atual Guatemala). Os primeiros vestígios da presença deles nesses
locais datam de aproximadamente 1000 a.C. Eles realizavam trocas comerciais com outros povos
da região, como os olmecas e os zapotecas. No entanto, por volta do ano 1000 d.C., os maias
entraram em declínio.
Entre as mais importantes cidades maias estavam Tikal (no território correspondente ao da
atual Guatemala), Palenque e Chichén Itzá (no território correspondente ao do atual México).
Elas não formavam um império unificado: cada uma mantinha governo, exército e justiça independentes; por isso, são consideradas cidades-Estado. Alternavam-se períodos de guerra e de
alianças entre elas.
Os maias realizavam comércio de longa distância com outros povos, como os tainos, no Caribe,
e os habitantes de Teotihuacán, uma gigantesca cidade na região central do atual México. Eles
trabalhavam ainda na domesticação de abelhas, para a obtenção do mel, e de perus, utilizados
como alimento.
Os maias também se dedicavam à agricultura, que era sua base econômica. Suas principais
atividades agrícolas estavam relacionadas ao cultivo de milho, além de cacau, algodão, tomate, abóbora, feijão, pimenta e batata. O sistema de cultivo prevalente era o de coivara, que
consistia na derrubada e queima da vegetação original, para em seguida realizar a semeadura.
Eles também dominavam técnicas de irrigação, drenagem de pântanos e cultivo em terraços.
Outra prática muito empregada por eles era a milpa, que consistia no plantio simultâneo de
milho, feijão e abóbora na mesma área.
Com base em observações astronômicas, os maias compreenderam os ciclos do Sol, da Lua e
do planeta Vênus, bem como os eclipses solares e lunares, e desenvolveram calendários destinados à agricultura e a atividades religiosas. Dois desses calendários se destacaram: um calendário
solar, dividido em 365 dias, e um calendário astrológico, dividido em 260 dias, que indicava os
dias mais propícios para a realização de algumas atividades. Cabia aos sacerdotes analisá-los
para determinar os melhores períodos para preparar a terra, plantar e colher.
Os maias eram politeístas e praticavam sacrifícios humanos. Esse é um dos assuntos mais
polêmicos relacionados ao universo cultural indígena mesoamericano. A prática estava ligada à
concepção de um mundo instável e constantemente ameaçado. Eles acreditavam que precisavam
oferecer sangue humano ao Sol para que este prosseguisse sua marcha e as trevas não caíssem
definitivamente sobre o mundo, paralisando a vida no universo. Diretamente relacionado ao
universo religioso e simbólico dos maias, o sacrifício era entendido como um dever sagrado em
relação ao Sol e uma necessidade para o bem coletivo. O declínio das cidades maias
Múltiplos fatores contribuíram para o declínio das cidades maias, como o esgotamento dos recursos naturais e diversas guerras entre as cidades-Estado. O texto
a seguir, do arqueólogo Claude-François Baudez, aborda esse assunto.
Agora se sabe que se tratou menos de um colapso ou de um desaparecimento
brutal do que de uma decadência cultural que durou todo um século; sabe-se
também que não se pode atribuir essa decadência a uma só causa (terremoto,
epidemia ou furacão) e que o fenômeno só pode ser entendido tendo em conta
uma diversidade de fatores. A fragilidade dos solos tropicais, cuja recuperação
exige a princípio longos períodos de descanso, somada à explosão demográfica
[...], teve possivelmente como consequência desastres ecológicos. Diante da exaustão dos solos, da destruição dos bosques, da erosão, da espetacular diminuição
do rendimento e depois de uma série de “maus anos” caracterizados pela seca, a
região maia se encontrava à mercê de uma grave fome. A fragmentação política
em cidades-Estado de todos os tamanhos constituía não só uma fonte permanente de conflitos, como também, em tempos de paz, uma incitação a competir
em suntuosidade com os vizinhos. Para demonstrar seu poderio, o rei tinha que
impulsionar projetos cada vez maiores, mais altos e mais ricos; os gastos suntuosos contribuíram para a ruína da cidade, ampliando a distância entre a elite e a
massa camponesa. O fracasso final da civilização maia mostra quão frágeis eram
suas bases e quão limitadas eram suas faculdades de adaptação. Os primeiros
desastres provocaram reações em cadeia – interrupção das redes comerciais,
levantes, guerras e invasões de povos vizinhos – que contribuíram para acelerar
o processo de fragmentação. Os astecas
Os astecas, nome mais convencional dado aos mexicas (como eles próprios se chamavam),
desenvolveram sua civilização séculos depois do início do declínio das cidades maias. Enquanto
os maias habitavam locais entre o centro e o sul da Mesoamérica, os astecas viviam entre o
centro e o norte dessa região.
De acordo com seus relatos, eles habitavam inicialmente um local chamado Aztlán,
de onde migraram para outros lugares até chegar, muito tempo depois, à região central do
México. Lá, estabeleceram-se em uma pequena ilha no centro do Lago Texcoco. Esse foi o
núcleo do que seria a cidade de Tenochtitlán. O trecho a seguir aborda o mito asteca de
fundação dessa cidade.
Segundo as lendas da tradição asteca, a escolha do local de fundação da cidade foi determinada por uma profecia do deus Colibri-Azul [Huitzilopochtli]. Dizia o deus que os astecas
receberiam um sinal quando encontrassem o local ideal para a fundação de sua cidade. O sinal
esperado era uma águia pousada num cacto sobre uma rocha, trazendo em seu bico uma serpente, e teria sido encontrado no centro do Lago Texcoco, onde fundaram Tenochtitlán – que
quer dizer “rocha de cactos”.
HUMBERG, Flávia Ricca; NEVES, Ana Maria Bergamin. Os povos da América: dos primeiros
habitantes às primeiras civilizações urbanas. São Paulo: Atual, 1996. p. 64.
O pequeno povoado, inicialmente muito pobre e militarmente fraco, recebeu forte influência
de grupos que já habitavam a região, como o dos toltecas, passando a adotar costumes e deuses
comuns na Mesoamérica.
Por volta do ano 1500, Tenochtitlán era uma das maiores cidades do mundo. Estima-se que
moravam lá de 500 mil a 1 milhão de pessoas, número que ultrapassava em muito o das maiores
cidades da Europa da época.
Conforme Tenochtitlán crescia em população e força, os astecas passaram a exercer influência
sobre muitos povos vizinhos. Ao se aliar a cidades próximas, Tenochtitlán se tornou capital de uma
poderosa confederação, chamada pelos historiadores de Confederação Mexica ou Império Asteca.
Politicamente, os astecas eram governados por um tlatoani (“aquele que fala”, em náuatle,
língua dos astecas), que possuía muitos poderes. Os povos submetidos ao império eram obrigados a pagar tributos na forma de penas raras, pedras e metais preciosos, produtos agrícolas
e, por vezes, até prisioneiros para os sacrifícios.
Assim como os maias, os astecas realizavam sacrifícios
em rituais religiosos. De acordo com um de seus mitos de
criação, alguns deuses se sacrificaram para que o Sol se
movimentasse e a vida pudesse seguir seu curso. Assim,
os seres humanos deveriam repetir essa ação, fornecendo
sacrifícios para que a vida e o mundo não terminassem.
Ser oferecido em sacrifício normalmente era considerado
honra, e os prisioneiros eram bem tratados antes de ser
executados nos rituais. Conhecimentos astecas
Como outros povos indígenas agricultores mesoamericanos, os astecas alimentavam-se essencialmente de milho, feijão, abóbora, pimenta e frutas, mas
também faziam parte de sua dieta peixes, crustáceos e insetos aquáticos. Eles
cultivavam hortaliças e flores e domesticavam cachorros, perus e patos.
Para a prática agrícola, construíram aquedutos por meio dos quais levavam
água até as áreas de vales para irrigar as plantações. Além de utilizar até as encostas das montanhas para plantar, os astecas elaboraram um sistema de cultivo
conhecido como chinampas, que eram “canteiros flutuantes” construídos sobre
lagos. Os astecas demarcavam os locais com estacas e junco, e formavam os canteiros com terra, lodo e vegetação aquática, possibilitando a ampliação de áreas
agricultáveis e a diminuição da necessidade de água da chuva para irrigação.
Para realizar esse trabalho, eram necessárias muitas pessoas.
Os calendários astecas eram semelhantes aos dos maias. Para os astecas, de
52 em 52 anos, o mundo cumpria um ciclo e se renovava. O ano do calendário
solar era formado por 365 dias. O Tonalponalli, outro calendário, apresentava treze
números e vinte signos, e era interpretado por sacerdotes quando as pessoas
nasciam e, supostamente, determinava o destino dos indivíduos.
Os astecas também desenvolveram a chamada guerra florida. Seu objetivo
era demonstrar coragem e capturar os oponentes com vida para oferecê-los aos
deuses em sacrifício. Avançando em ordem e com demonstrações individuais de
força e bravura, eles consideravam uma desonra atacar o adversário sem antes
avisá-lo com sons de instrumentos. A guerra terminava quando o templo central
da cidade atacada fosse atingido.
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Mapa mental
As Civilizações Maia e Asteca na Mesoamérica
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Palavras cruzadas
Civilizações Mesoamericanas: Maias e Astecas
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