Doenças do Feijão-Caupi

O texto detalha as principais doenças fúngicas e virais que afetam o feijão-caupi, incluindo seus sintomas e métodos de controle, com foco em práticas de manejo para garantir a produtividade da cultura.

Resumo das Principais Doenças do Feijão-Caupi

O feijão-caupi é uma cultura fundamental para a agricultura brasileira, especialmente em regiões semiáridas e de clima tropical. O programa de melhoramento genético tem buscado desenvolver cultivares com maior resistência a doenças, o que é essencial para garantir produtividade e sustentabilidade. Conhecer as principais doenças do feijão-caupi, seus sintomas e métodos de controle é indispensável para técnicos e produtores rurais, permitindo intervenções eficazes no manejo da cultura.

Doenças Fúngicas e Seus Sintomas

  • Tombamento (Damping off)

    • Causado principalmente por Rhizoctonia e Pythium.
    • Lesões deprimidas e marrons no caule, com tecido esverdeado e aquoso em ataques por Pythium.
    • Causa morte rápida das plântulas e falha na germinação.
    • Controle: uso de sementes sadias e certificadas.
  • Podridão-das-raízes

    • Inicia com coloração avermelhada no colo da raiz, evoluindo para marrom e apodrecimento dos tecidos.
    • Provoca amarelecimento, murcha e morte das plantas.
    • Controle: remoção de plantas doentes, rotação de culturas com algodão/gramíneas e aplicação de calcário.
  • Podridão-do-colo

    • Lesões necróticas aquosas no colo da planta que se espalham para o caule e ramos.
    • Pode apresentar crescimento branco do patógeno sobre as lesões.
    • Controle: evitar plantios adensados e solos encharcados.
  • Podridão-cinzenta-do-caule

    • Lesões acinzentadas úmidas que se espalham do colo para o caule e ramos.
    • Presença de pontuações negras (picnídios) nas lesões.
    • Controle: sementes sadias, plantio espaçado, manejo da irrigação e rotação com gramíneas.
  • Murcha-de-fusarium

    • Redução do crescimento, clorose, queda prematura de folhas e murcha.
    • Feixes vasculares apresentam descoloração castanha.
    • Controle: escolha de área sem histórico da doença, rotação de culturas e uso de cultivares resistentes.
  • Murcha/podridão-de-esclerócio

    • Presença de micélio branco e esclerócios esféricos castanho-escuros no colo e caule.
    • Causa murcha e danos no sistema vascular.
    • Controle: cultivares resistentes, drenagem do solo, aração profunda e rotação com milho e algodão.
  • Carvão

    • Manchas arredondadas castanho-escuras nos folíolos com halo clorótico.
    • Causa amarelecimento e queda precoce das folhas.
    • Controle: cultivares resistentes.
  • Mancha-café

    • Manchas marrom-escuras em vagens e pedúnculo com frutificações negras (acérvulos).
    • Controle: uso de sementes sadias e destruição dos restos culturais.
  • Mancha de cercóspora

    • Manchas necróticas avermelhadas nos folíolos, com massa marrom sob alta umidade.
    • Controle: geralmente não requer medidas específicas na região Nordeste.
  • Oídio ou cinza

    • Massa branco-acinzentada pulverulenta nas folhas, caules, flores e vagens.
    • Controle: cultivares resistentes e manejo adequado, especialmente em zonas semiáridas.

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Doenças Virais e Suas Manifestações

  • Mosaico-severo-do-caupi

    • Mosaico foliar intenso, enrugamento e bolhosidades nas folhas, com áreas verde-escuro e claras alternadas.
    • Reduz o poder germinativo das sementes.
    • Controle: uso de cultivares altamente resistentes, controle dos vetores e eliminação de hospedeiros silvestres.
  • Mosaico-dourado-do-caupi

    • Pontuações verde-amareladas que evoluem para coloração amarelo-dourada nos folíolos.
    • Pode causar redução do porte das plantas.
    • Controle: cultivares com resistência ou tolerância.
  • Mosaico transmitido por pulgão

    • Encrespamento discreto das folhas e áreas com coloração verde-clara e verde-escura alternadas.
    • Controle: uso de cultivares resistentes e manejo do vetor.

Medidas Gerais de Controle e Manejo

  • Utilização preferencial de sementes certificadas e sadias para evitar a introdução de patógenos.
  • Rotação de culturas com plantas como algodão e gramíneas para reduzir a presença de patógenos no solo.
  • Manejo adequado da irrigação para evitar solos encharcados, que favorecem doenças fúngicas.
  • Espaçamento correto entre plantas para reduzir a umidade e melhorar a ventilação.
  • Aplicação de corretivos de solo, como calcário, para aumentar a resistência das plantas.
  • Uso de cultivares com resistência genética comprovada às principais doenças.
  • Controle dos vetores de vírus e eliminação de plantas hospedeiras silvestres.

Considerações Finais

O manejo eficiente das doenças do feijão-caupi depende do conhecimento detalhado dos sintomas, agentes causadores e métodos de controle. A adoção de práticas integradas, como o uso de sementes certificadas, rotação de culturas, manejo adequado do solo e irrigação, além da escolha de cultivares resistentes, é fundamental para garantir a produtividade e sustentabilidade da cultura no Brasil. Técnicos e produtores devem estar atentos às condições ambientais e realizar monitoramentos constantes para identificar precocemente as doenças e adotar medidas preventivas ou corretivas eficazes.

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