Sumário de Anti Anti-Relativismo
Este resumo aborda o ensaio "Anti anti-relativismo" de Clifford Geertz, explorando a complexidade do debate sobre o relativismo cultural na antropologia. Geertz argumenta que o medo do relativismo cultural é infundado e que o anti-relativismo representa uma versão moderna de um erro antigo. Ele propõe uma abordagem crítica ao anti-relativismo, buscando exorcizar os demônios que nos afastam de modos de pensar mais convincentes e centrais para a antropologia.
Problema Central
- O medo do relativismo cultural, que Geertz considera infundado, é o problema central.
- As consequências morais e intelectuais atribuídas ao relativismo (subjetivismo, niilismo, etc.) são, na verdade, ilusórias.
- Geertz não defende o relativismo, mas ataca o anti-relativismo, que ele vê como uma ameaça crescente.
- O relativismo cultural é usado como um espectro para nos afastar de certos modos de pensar, o que Geertz considera problemático.
Metodologia
- Geertz utiliza uma abordagem "através-do-espelho", objetando a uma visão em vez de defender a visão que ela afirma opor-se.
- Ele compara essa abordagem ao "anti-anticomunismo" da Guerra Fria, onde se opor à obsessão anticomunista não implicava simpatia pelo comunismo.
- A abordagem é necessária porque as definições comuns de relativismo são formuladas por seus adversários, resultando em uma identificação com o niilismo.
- Geertz busca rejeitar o anti-relativismo sem se comprometer com o que ele rejeita.
Resultados e Discussão
- A antropologia, através da ideia de relativismo, perturbou a paz intelectual geral, mesmo quando a teoria antropológica não era explicitamente relativista.
- A mensagem transmitida era que a confiança em nossas próprias opiniões e atitudes tem uma base precária, já que as pessoas veem as coisas de maneira diferente em diferentes culturas.
- A inclinação relativista é inerente ao campo antropológico, influenciando a antropologia cultural, arqueologia, linguística antropológica e antropologia física.
- Geertz argumenta que o provincianismo é uma preocupação mais real do que o relativismo, pois o medo de que a realidade desapareça se não acreditarmos nela não produz clareza na discussão.
Implicações
- O debate entre relativistas e anti-relativistas reflete diferentes preocupações sobre como viver com as implicações da pesquisa antropológica.
- Os relativistas se preocupam com o provincianismo, enquanto os anti-relativistas se preocupam com a entropia espiritual.
- Geertz sugere que o anti-relativismo, em grande parte, engendra a angústia de que se alimenta.
- Ele critica a busca por uma "Natureza Humana" independente do contexto como um baluarte contra o relativismo, argumentando que isso leva a machados que estão sendo ativamente afiados com a ajuda dessas ideias.
- Geertz defende que a antropologia deve examinar os dragões (os aspectos estranhos e anômalos das culturas), em vez de domesticá-los ou abominá-los.

Conclusão
Em suma, Geertz nos convida a repensar o debate sobre o relativismo cultural, questionando os medos e as ansiedades que o cercam. Ele argumenta que a antropologia deve abraçar a diversidade cultural e examinar os aspectos estranhos e anômalos das culturas, em vez de buscar uma "Natureza Humana" universal que sirva como um baluarte contra o relativismo. A mensagem central é que a antropologia deve ser uma força para a inquietação intelectual, em vez de buscar tranquilizar e domesticar a complexidade do mundo.