Estrutura da Resenha Crítica

# Estrutura da Resenha Crítica [Sequence 1: (a) Contextualized Situation] Olá! Eu sou Harry Potter — e antes de chegar a Hogwarts, eu vivia num armário embaixo da escada sem ter acesso a quase nenhum livro. Então, quando finalmente descobri as bibliotecas do mundo dos bruxos e dos trouxas, me vi diante de um problema mágico: como escolher o que ler com tantas obras à minha frente? A solução que encontrei foi simples: buscar textos que não apenas descrevessem a obra, mas que também opinassem sobre ela com boas razões. Esses textos me salvaram muitas horas de leitura equivocada — e vamos investigar juntos por que eles funcionam tão bem. Você já passou por uma situação parecida? Pense: quando você quer saber se um filme, uma série ou um livro vale seu tempo, onde busca essa informação? Provavelmente em algum texto que não apenas descreve a obra, mas também opina sobre ela de forma fundamentada. Esse tipo de texto tem nome, estrutura e regras próprias. A pergunta que vai nos guiar neste capítulo é esta: **como um texto pode apresentar uma obra e, ao mesmo tempo, expressar uma opinião fundamentada sobre ela?** Em resumo, entender como esse gênero se organiza é a chave para ler — e um dia escrever — avaliações críticas com confiança. **Images:** - https://storage.googleapis.com/teachy-classroom-contents/images/imported/c6624065-d810-4934-bcd0-3c6cc73b508c.jpg — Estudantes em uma biblioteca escolar interagindo com livros e com uma instrutora, em ambiente de leitura e aprendizado | Attribution: Fonte: Senado Federal - Wikimedia Commons [Sequence 2: (a) Recall Diagnostic Questions] [D1] Você já leu alguma crítica ou avaliação de um livro, filme ou série — seja em um site, revista ou redes sociais? O que esse tipo de texto costuma fazer: apenas contar do que se trata ou também diz se vale a pena? Explique com suas palavras. --- [Sequence 4] ## O que é uma resenha crítica? Eu aprendi em Hogwarts que há uma diferença enorme entre contar um fato e analisá-lo. Pois bem: essa diferença existe também no mundo dos textos. Imagine que você assistiu a um filme que te tocou profundamente. Você quer contar isso para alguém, mas não quer apenas dizer "foi bom" ou "foi ruim" — você quer explicar *por quê*. Esse é exatamente o impulso que gera a resenha crítica. A **resenha crítica** é um gênero textual argumentativo que combina a apresentação de uma obra com uma avaliação fundamentada sobre ela. Diferencia-se do resumo porque vai além da descrição: inclui posicionamento, julgamento crítico e, sobretudo, argumentos que sustentam esse julgamento. Quem escreve uma resenha crítica não apenas informa o leitor sobre o que a obra contém — também o convence (ou tenta convencer) de que sua avaliação faz sentido. Por isso, a resenha é um texto predominantemente argumentativo: sua força está nos argumentos que sustentam a opinião do resenhista. Em resumo, a resenha crítica é o gênero que permite ao leitor tomar uma decisão informada sobre uma obra — e é exatamente isso que vamos investigar ao ler o texto a seguir. [chapter-section: Evidências] Leia com atenção esta resenha crítica publicada sobre o livro *Malacabado*, de Jairo Marques. Observe como o texto ao mesmo tempo apresenta a obra e emite um julgamento sobre ela — a mesma questão que abrimos no início do capítulo: --- **Um repórter sobre cadeira de rodas** Repórter da Folha de São Paulo, Jairo Marques notabilizou-se por sua participação em coberturas complicadas, com temas como desvio de dinheiro público em Roraima e uma rede de prostituição infantil no Piauí. Nos últimos anos, tornou-se mais conhecido por outro motivo: cadeirante, resultado da poliomielite que o atacou na infância, criou o blog e coluna *Assim como você*, em que aborda questões relacionadas às pessoas com deficiência. Para além do tema em si, e tratado por quem tem conhecimento de causa, foi o tom desafiador de seus artigos que chamou a atenção do público e fez de Jairo uma referência na área. As crônicas da coluna são recheadas de um vocabulário próprio, que inclui *serumano*, *povo ruim das pernas* (ou dos sentidos), *atrapalhado das partes*, *tchubirubi* e *maraviwonderful*. Num País em que a discussão sobre igualdade de direitos costuma parar na decoreba da terminologia apropriada, quando muito, Jairo faz uma escolha consciente de abandonar o politicamente correto para que as atenções estejam voltadas ao que realmente importa. Vindo dele, é também uma piada interna, uma tentativa de rir da própria condição e convidar outros deficientes a fazer o mesmo, enquanto travam uma briga de foice por inclusão. A questão da terminologia, carregada para o título do livro, é o foco da introdução, e dará o tom no restante da obra: A palavra *malacabado*, espécie de corruptela de "mal-acabado", é uma galhofa, uma provocação à falsidade disfarçada em discurso politicamente correto, que abraça e chama alguém de "especial" diante de uma plateia, mas golpeia a cidadania pouco a pouco, nas várias situações em que ela precisa verdadeiramente ser representada e respeitada com inclusão, com acesso, com todos juntos. A história pessoal de Jairo começa em Três Lagoas, Minas Gerais, com o surgimento de uma doença misteriosa que, aos nove meses, tirou-lhe a força das pernas e a capacidade de respirar normalmente. A descoberta da poliomielite só se deu em São Paulo, pra onde veio trazido pela mãe no auge da crise. Sobreviver foi apenas o primeiro desafio. A partir daí, começaria uma jornada de aprendizado para ele e sua família: todos passaram a conviver com um corpo novo, diferente, e que requeria cuidados e adaptações. Os seus primeiros anos de vida foram provavelmente bem parecidos com a de grande parte das pessoas com deficiência no Brasil. A desinformação inicial, a peregrinação por serviços públicos de saúde, muita dor, dificuldades financeiras e a fé na cura — no caso de Jairo, protagonizada por sua mãe, que por muitos anos acreditava ainda ser possível vê-lo de pé. *Resenha crítica publicada sobre o livro Malacabado, de Jairo Marques. Editora Tordesilhas, 2015. O trecho acima corresponde a um excerto da resenha, que não inclui a conclusão original.* --- Antes de continuar, observe com atenção o que esse texto faz. Em quais momentos ele apresenta informações sobre o autor e o livro? Em quais momentos ele emite uma opinião ou avaliação? Essas perguntas são exatamente a chave que estávamos procurando desde o início do capítulo. [chapter-section: Perfil] **Jairo Marques** é jornalista e escritor brasileiro, repórter da *Folha de São Paulo*. Cadeirante desde a infância em razão da poliomielite, tornou-se referência no jornalismo brasileiro ao tratar de questões ligadas à pessoa com deficiência. Seu blog e coluna *Assim como você* e o livro *Malacabado* (2015) são exemplos de como a escrita pode unir experiência pessoal e engajamento social. Neste capítulo, Jairo Marques aparece como o autor que é objeto da resenha — não como o autor do texto crítico em si. **Images:** - GENERATE: Retrato ilustrado de um jornalista cadeirante trabalhando em uma redação, com caderno de notas e computador, em estilo HQ com cores vibrantes e bordas suaves se dissolvendo em branco. Sem texto na imagem. | perfil-jornalista-cadeirante.png | 3:4 ## Os quatro elementos estruturais Vamos investigar isso juntos, como se fosse um mapa do tesouro que organiza qualquer resenha crítica que você encontrar. A estrutura padrão divide-se em **quatro elementos principais**, e reconhecê-los é o feitiço que transforma um leitor passivo em um leitor crítico. **Apresentação da obra** é o primeiro elemento. O resenhista situa o leitor: quem escreveu a obra, em que contexto ela surgiu e o que ela se propõe a fazer. Esse elemento responde à pergunta: *quem produziu essa obra e em que contexto?* **Resumo do conteúdo** é o segundo elemento. Sem revelar tudo (e jamais spoilers!), o resenhista descreve o que o leitor vai encontrar dentro da obra. Esse elemento responde a: *do que a obra trata?* **Análise e avaliação crítica** é o terceiro e mais importante elemento. É aqui que o resenhista sai da descrição e entra no julgamento fundamentado: ele apresenta uma tese — seu posicionamento central — e a sustenta com argumentos. Sem esse elemento, a resenha seria apenas um resumo. Esse elemento responde a: *o que essa obra vale e por quê?* **Conclusão com posicionamento** é o quarto elemento. O resenhista encerra com um veredito — uma tomada de posição clara que orienta o leitor a decidir se vai ou não à obra. Esse elemento fecha o ciclo argumentativo começado nos três anteriores. Em resumo, esses quatro elementos formam a espinha dorsal da resenha crítica — e identificá-los em qualquer texto desse gênero é a habilidade que vamos praticar agora. **Images:** - GENERATE: Diagrama ilustrado em estilo HQ mostrando os quatro elementos da resenha crítica como andares de uma construção — Apresentação, Resumo, Análise e Conclusão — com cada andar em uma cor vibrante e bordas suaves se dissolvendo em branco. Todo texto na imagem deve estar em português brasileiro. | resenha-critica-estrutura.png | 16:9 [INTERACTIVE: a1-sl | Explore os quatro elementos da resenha crítica em slides interativos na plataforma Teachy] ## Na prática [Sequence 5] Agora é hora de praticar — vamos investigar isso juntos, como eu faria com meus amigos em Hogwarts antes de uma prova importante. As questões abaixo usam a resenha que você acabou de ler. Você consegue reconhecer em qual parte do texto cada elemento aparece? [P1] (DOK 1) Leia o trecho abaixo, retirado da resenha crítica do livro *Malacabado*: > "Repórter da Folha de São Paulo, Jairo Marques notabilizou-se por sua participação em coberturas complicadas, com temas como desvio de dinheiro público em Roraima e uma rede de prostituição infantil no Piauí. Nos últimos anos, tornou-se mais conhecido por outro motivo: cadeirante, resultado da poliomielite que o atacou na infância, criou o blog e coluna *Assim como você*." Esse trecho corresponde a qual elemento da estrutura de uma resenha crítica? (A) Resumo do conteúdo da obra (B) Análise e avaliação crítica (C) Apresentação da obra e do autor (D) Conclusão com recomendação **Gabarito:** C [P2] (DOK 2) Na resenha, o resenhista afirma que Jairo Marques "faz uma escolha consciente de abandonar o politicamente correto para que as atenções estejam voltadas ao que realmente importa." Identifique em qual parte da estrutura da resenha esse trecho se encaixa e explique por que essa informação é importante para o leitor avaliar a obra. *Dica: Pense no que diferencia apenas descrever um livro de analisá-lo criticamente.* Depois de identificar onde cada trecho se encaixa, o próximo desafio é localizar exatamente *onde* na resenha cada elemento começa — e para isso você precisa perceber o momento em que o foco do texto muda. [P3] (DOK 2) A resenha crítica possui quatro elementos estruturais principais: apresentação da obra, resumo, análise e conclusão. Releia a resenha do livro *Malacabado* e indique em qual parágrafo o resenhista começa a apresentar informações sobre o conteúdo da obra (resumo). Justifique sua resposta com uma evidência do texto. *Dica: Procure o momento em que o texto deixa de falar sobre o autor e passa a descrever o que está dentro do livro.* [chapter-section: Sabia?] Um dos equívocos mais comuns ao ler uma resenha crítica é confundir o **resumo** com a **análise**. O resumo descreve *o que* a obra contém; a análise diz *o que o resenhista pensa sobre isso* e *por que*. Se você perceber que um trecho apresenta uma opinião com justificativa, está diante da análise crítica — mesmo que ela apareça misturada com informações descritivas. ## Exercícios [Sequence 6] Eu aprendi em Hogwarts que o verdadeiro teste de qualquer habilidade é aplicá-la em novas situações, sem a rede de proteção dos exemplos já vistos. Você consegue identificar a estrutura da resenha em trechos que ainda não analisamos juntos? É exatamente isso que vamos fazer agora. Em resumo, estes exercícios são o momento de mostrar que você domina os quatro elementos — não apenas os reconhece quando alguém já os aponta. [I1] (DOK 3) *Leia o trecho a seguir, retirado da resenha crítica do livro Malacabado, de Jairo Marques:* > "A questão da terminologia, carregada para o título do livro, é o foco da introdução, e dará o tom no restante da obra: A palavra malacabado, espécie de corruptela de 'mal-acabado', é uma galhofa, uma provocação à falsidade disfarçada em discurso politicamente correto, que abraça e chama alguém de 'especial' diante de uma plateia, mas golpeia a cidadania pouco a pouco, nas várias situações em que ela precisa verdadeiramente ser representada e respeitada com inclusão, com acesso, com todos juntos." Nesse trecho, o resenhista cumpre uma função estrutural específica da resenha crítica. Qual é essa função e como ela se manifesta no trecho? (A) Apresentação do autor, ao explicar a origem do pseudônimo literário adotado por Jairo Marques em suas publicações. (B) Resumo do conteúdo, ao descrever de forma neutra o argumento central da introdução do livro sem emitir opinião. (C) Análise crítica, ao interpretar a escolha do título e relacioná-la ao posicionamento ideológico do autor sobre inclusão. (D) Conclusão, ao recomendar a leitura do livro com base na relevância social do tema abordado. (E) Contextualização histórica, ao situar o debate sobre terminologia no campo das políticas públicas de acessibilidade. **Gabarito:** C [I2] (DOK 2) *Uma estudante leu a resenha do livro Malacabado e ficou em dúvida: "Esse texto só conta do que o livro trata ou ele também diz se o livro é bom?" Para responder à colega, ela precisaria distinguir os elementos estruturais da resenha crítica.* Identifique um trecho da resenha lida que corresponda ao elemento de **análise/avaliação crítica** e explique o que torna esse trecho uma avaliação, e não apenas um resumo. [LINES: 5] [I3] (DOK 3) *Considere a estrutura completa de uma resenha crítica: (1) apresentação da obra e do autor, (2) resumo do conteúdo, (3) análise e avaliação crítica, (4) conclusão com recomendação ou posicionamento.* A resenha lida neste capítulo apresenta um excerto que não inclui a conclusão original. Com base nos três primeiros elementos que você identificou no texto, explique de que forma a organização desses elementos contribui para que o leitor tome uma decisão informada sobre ler ou não o livro. Utilize pelo menos um exemplo do texto para sustentar sua resposta. [LINES: 8] [chapter-section: Biblioteca cultural] Quer ler mais resenhas críticas de qualidade? Procure a revista *Quatro Cinco Um* (disponível gratuitamente em parte no site quartocinceum.com.br), dedicada exclusivamente a resenhas de livros brasileiros. Lá você encontrará exemplos reais do gênero que estudamos hoje, escritos por jornalistas e escritores profissionais. [INTERACTIVE: d-rp | Escaneie para responder estes exercícios na plataforma Teachy e receber correção automática]


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