Exercícios: segregação socioespacial na América Latina
## Praticando **1.** Com base no trecho abaixo, sobre a distribuição das favelas no Brasil, identifique a característica territorial que melhor define esses espaços urbanos. Subindo morros, margeando córregos ou penduradas em palafitas, as favelas fazem parte da paisagem de um terço dos municípios do país, abrigando mais de 10 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). MARTINS, A. R. A favela como um espaço da cidade. Disponível em: http://www.revistaescola.abril.com.br. Acesso em: 31 jul. 2010. A situação das favelas no país reporta a graves problemas de desordenamento territorial. Nesse sentido, uma característica comum a esses espaços tem sido A) a ocupação de áreas de risco suscetíveis a enchentes ou desmoronamentos com consequentes perdas materiais e humanas. B) o planejamento para a implantação de infraestruturas urbanas necessárias para atender as necessidades básicas dos moradores. C) a organização de associações de moradores interessadas na melhoria do espaço urbano e financiadas pelo poder público. D) a presença de ações referentes à educação ambiental com consequente preservação dos espaços naturais circundantes. E) o isolamento socioeconômico dos moradores ocupantes desses espaços com a resultante multiplicação de políticas que tentam reverter esse quadro. (ENEM) --- **2.** Analise o fragmento da geógrafa Ermínia Maricato sobre o crescimento das cidades brasileiras e identifique o principal fator responsável pela expansão das áreas periféricas. Trata-se de um gigantesco movimento de construção de cidades necessário para o assentamento residencial dessa população, bem como de suas necessidades de trabalho, abastecimento, transportes, saúde, energia, água, etc. Ainda que o rumo tomado pelo crescimento urbano não tenha respondido satisfatoriamente a todas essas necessidades, o território foi ocupado e foram construídas as condições para viver nesse espaço. MARICATO, E. *Brasil, cidades alternativas para a crise urbana*. Petrópolis: Vozes, 2001. A dinâmica de transformação das cidades tende a apresentar como consequência a expansão das áreas periféricas pelo(a) A) direcionamento maior do fluxo de pessoas, devido à existência de um grande número de serviços. B) delimitação de áreas para uma ocupação organizada do espaço físico, melhorando a qualidade de vida. C) crescimento da população urbana e aumento da especulação imobiliária. D) implantação de políticas públicas que promovem a moradia e o direito à cidade aos seus moradores. E) reurbanização de moradias nas áreas centrais, mantendo o trabalhador próximo ao seu emprego, diminuindo os deslocamentos para a periferia. (ENEM) --- **3.** Considere o fragmento abaixo sobre a desigualdade urbana e a segregação social no Brasil. Analise as afirmativas e identifique como o transporte urbano pode funcionar como fator de segregação. O maior problema do Brasil não é a pobreza, mas a desigualdade e a injustiça a ela associada. Daí decorre a importância da segregação na análise do espaço urbano de nossas metrópoles, pois ela é a mais importante manifestação urbana da desigualdade que impera em nossa sociedade. Assim, *nenhum aspecto do espaço urbano brasileiro poderá ser jamais explicado ou compreendido se não forem consideradas as especificidades da segregação social e econômica que caracteriza nossas metrópoles, cidades grandes e médias*. (Adaptado de Flávio Villaça, "São Paulo: segregação urbana e desigualdade". *Revista Estudos Avançados*, v. 25, n. 71, São Paulo, jan./abr. 2011.) Com base no texto e em seus conhecimentos: a) Explique o que é segregação urbana e como o transporte urbano nas grandes cidades pode ser segregador. b) Diferencie os conceitos de centro e periferia, no espaço urbano, tendo em vista a segregação. (Adaptado de UNICAMP) --- **4.** O mapa a seguir apresenta países com mais de 5 milhões de habitantes vivendo em favelas (ou outras formas de habitação precária).  (Adaptado de: https://espace-mondial-atlas.sciencespo.fr. Acessado em 02/07/2021.) Com base nas informações do mapa e em seu conhecimento sobre a população urbana que vive em habitações precárias e favelas, assinale a alternativa correta. A) Na América Latina, entre $5\%$ e $20\%$ da população urbana vive hoje em favelas ou habitações precárias, o que deixou de ser um problema social por conta da industrialização da região no século XX e da disseminação de políticas públicas. B) A forte desaceleração da urbanização na China e na Índia nesta década, associada a políticas públicas, tem levado à diminuição das habitações precárias nesses países, ainda que os números absolutos de moradores em condições precárias continuem elevados. C) Em grande parte dos países da África Subsaariana, mais de $60\%$ da população urbana vive em favelas ou habitações precárias, um problema social decorrente, entre outros fatores, da inserção do continente na divisão internacional do trabalho. D) A habitação precária não se coloca como uma questão social importante nos países do Oriente Médio, uma vez que há volumosos investimentos em políticas públicas para o setor da habitação, financiados com recursos obtidos da exploração do petróleo. (Adaptado de UNICAMP) --- **5.** Segundo o IBGE (2022), 16.390.790 de brasileiros residem em favelas e comunidades urbanas que estão presentes em todo o território nacional. O mapa indica que há um percentual significativo de residentes em favelas e comunidades urbanas segundo as concentrações urbanas em dois grandes eixos: nas cidades do litoral e suas proximidades e nas cidades situadas na bacia hidrográfica do rio Amazonas.  a) Apresente dois indicadores que definem as favelas e comunidades urbanas. Por que Manaus e Belém, situadas na bacia hidrográfica do rio Amazonas, têm o maior percentual de moradores residindo em favelas e comunidades? b) Aponte dois fatores relacionados à propriedade fundiária urbana e indique dois aspectos da política urbana de responsabilidade do Estado Brasileiro que explicam o grande contingente da sociedade brasileira vivendo em favelas. (Adaptado de UNICAMP) --- **6.** Observe a imagem a seguir e leia o texto.  Nas grandes cidades de todo o planeta, com maior ou menor intensidade, cresce o número de pessoas em situação de rua. No caso brasileiro, todavia, essa é uma realidade urbana perene, agravada em momentos de crise. Segundo estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em 2022, existiam 281.472 pessoas em situação de rua no Brasil. MONTFERRE, H. População em situação de rua supera 281,4 mil pessoas no Brasil. IPEA, 08/12/2022. O fenômeno descrito no excerto, e reportado na imagem, se constituiu historicamente nas cidades brasileiras em função A) da crise conjuntural da última década, agravada com a pandemia de covid-19; muitas vezes, a gestão urbana impõe a essa população a precariedade da circulação sem fim pela cidade e mesmo pela rede urbana. B) do processo de modernização-urbanização excludente; as ações de política urbana implementam programas de habitação popular nas áreas centrais para viabilizar a gentrificação e o direito à cidade a essa população. C) do processo de modernização-urbanização excludente; a gestão urbana promove, muitas vezes, práticas de "higienização" do espaço, isto é, de expulsão, com o apoio de setores da sociedade. D) da crise conjuntural da última década, agravada pela pandemia de covid-19; a gestão urbana busca formas de integrar essa população aos espaços urbanos por meio das casas de acolhimento e de programas de emprego e renda. (Adaptado de UNICAMP) --- **7.** Analise o texto a seguir, extraído de pesquisa sobre os deslizamentos de terra em encostas urbanas brasileiras, e responda ao que se pede. No Brasil, várias cidades registram ocupação irregular de encostas em áreas sujeitas a deslizamentos de terra (também chamados de escorregamentos). O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) trabalha no levantamento, mapeamento, recuperação e estabilização dessas áreas de risco. Um exemplo deste trabalho foram aqueles executados desde a década de 1970 referentes aos deslizamentos dos morros de Santos e São Vicente-SP, cuja região é acometida há tempos por esses problemas, inclusive com a ocorrência de vítimas fatais.  Disponível em https://www.ipt.br/. Adaptado. 2019. Baseando-se nas informações do texto e na figura, é correto afirmar que A) as características topográficas, geológicas e geomorfológicas de uma área de risco estão naturalmente ligadas aos escorregamentos, sendo que estradas de terra minimizam a ocorrência de deslizamentos. B) a ocorrência de escorregamentos é causada pela ação humana, cuja ocupação de encostas provoca o empobrecimento de solo, que acaba sendo mobilizado pela diminuição de fertilidade. C) os deslizamentos de terra fazem parte de um conjunto de fenômenos naturais pontuais e incomuns na superfície da crosta terrestre e, portanto, não participam da escultura do relevo continental e do modelado. D) o problema da ocupação de encostas e risco de escorregamentos inclui o contato entre a rocha e o solo, cuja facilidade de deslizamento é aumentada em função da inclinação do terreno e da maior ocorrência de chuvas. E) os escorregamentos são causados em especial pelo fato de o solo tornar-se mais leve que a rocha subjacente durante as chuvas prolongadas de verão, facilitando seu deslizamento ao longo das encostas pouco ou nada inclinadas. (FUVEST) --- **Images:** - [GENERATE] Gráfico de barras horizontais mostrando o índice de Gini de países selecionados da América Latina (Brasil, México, Colômbia, Argentina, Chile, Peru, Bolívia), com valores entre 0,40 e 0,60, comparados com a média da OCDE (0,31). Título: "Desigualdade de renda na América Latina — Índice de Gini (2022)". Fonte indicada na imagem: "Elaboração didática com base em dados da CEPAL, 2023". Eixo x: Índice de Gini; eixo y: países. Registro acadêmico, paleta monocromática. | grafico_gini_latam.png | landscape **8.** [I1] O gráfico acima apresenta o índice de Gini de países selecionados da América Latina em comparação com a média da OCDE. Observe o gráfico acima. Com base nos dados apresentados, é correto afirmar que a elevada desigualdade de renda nos países latino-americanos A) tem origens multifatoriais e se reflete diretamente na organização do espaço urbano, contribuindo para a concentração de pobres em periferias, favelas e zonas de risco, enquanto as classes de alta renda ocupam áreas com maior infraestrutura. B) decorre da herança colonial e se manifesta de forma semelhante em todos os países da região, independentemente do grau de industrialização ou da política habitacional adotada por cada governo. C) é compensada, em grande medida, pelo acesso a serviços públicos de qualidade nas metrópoles da região, o que reduz o impacto da segregação sobre a qualidade de vida dos moradores de periferias. D) tem apresentado tendência de queda sustentada desde os anos 1990, em razão da expansão dos condomínios fechados, que geram empregos no setor de serviços para a população de baixa renda. --- **9.** [P1] Relacione a desigualdade de acesso a serviços e equipamentos urbanos com a segregação socioespacial em cidades da América Latina. Para isso, analise as dimensões apresentadas no quadro a seguir: | Dimensão do acesso desigual | Descrição | |---|---| | Distância geográfica | Maior distância entre local de moradia e equipamentos públicos (escolas, hospitais, centros de emprego) | | Custo de transporte | Gasto proporcionalmente maior da renda para deslocamento diário | | Qualidade inferior | Serviços públicos ofertados em periferias e favelas com menor capacidade e qualidade | | Fragmentação intraurbana | Coexistência de áreas com serviços privados de alto padrão e áreas sem serviços públicos mínimos | Identifique dois impactos concretos da segregação socioespacial sobre a qualidade de vida dos moradores de periferias e favelas nas metrópoles latino-americanas, articulando ao menos duas das dimensões apresentadas no quadro acima. --- **Images:** - [GENERATE] Mapa esquemático de cidade hipotética de metrópole latino-americana mostrando padrão centro-periferia: zona central com infraestrutura completa (hospitais, escolas, parques, transporte), zona intermediária com infraestrutura parcial, zona periférica com assentamentos precários, favelas em encostas e várzeas. Legenda com categorias de serviços por zona. Título: "Padrão centro-periferia: distribuição de equipamentos urbanos na metrópole latino-americana". Nota na imagem: "Elaboração didática". Registro acadêmico vestibular, traço técnico. | mapa_centro_periferia.png | portrait **10.** [I2] Observe o esquema acima, que representa a distribuição de equipamentos urbanos em uma metrópole latino-americana segundo o padrão centro-periferia. Com base no mapa e nos conhecimentos sobre segregação socioespacial, é correto afirmar que A) a distância geográfica entre periferia e centro é um fator relevante, mas a desigualdade no acesso a serviços urbanos decorre também de barreiras econômicas, qualidade diferencial dos serviços e fragmentação intraurbana. B) a concentração de equipamentos urbanos nas zonas centrais reflete a lógica de investimentos públicos e privados que historicamente converge para áreas com maior renda e maior capacidade de pressão política. C) a segregação socioespacial produz um ciclo cumulativo de desvantagens: moradores de periferias e favelas enfrentam simultaneamente maior distância dos serviços, menor qualidade dos serviços disponíveis e maiores custos de deslocamento. D) nas metrópoles latino-americanas, a provisão de serviços privados nas áreas periféricas tem reduzido progressivamente a demanda por infraestrutura pública nessas regiões. --- **11.** [P2] Analise o seguinte fragmento do geógrafo Milton Santos sobre a urbanização brasileira e responda ao que se pede. A urbanização brasileira ganha, pois, novo significado a partir da segunda metade do século XX. O que se vê é uma urbanização aceleradíssima, característica dos países subdesenvolvidos, na qual o crescimento das cidades não corresponde a um crescimento equivalente da indústria. As cidades incham mais do que crescem. Recebem populações expulsas do campo pelas transformações da agricultura moderna, mas não conseguem absorvê-las produtivamente. O resultado é a cidade extensa, segregada, marcada pela informalidade do trabalho e da moradia. SANTOS, Milton. *A urbanização brasileira*. 5. ed. São Paulo: Edusp, 2005. p. 31. Com base no fragmento, explique como a "urbanização sem industrialização equivalente", caracterizada por Milton Santos, contribui para a formação de favelas e periferias nas metrópoles brasileiras e latino-americanas. --- **Images:** - [GENERATE] Gráfico de linhas duplo mostrando, entre 1950 e 2020, a evolução da taxa de urbanização (%) e da taxa de industrialização (%) na América Latina. A curva de urbanização cresce de ~40% para ~82%; a curva de industrialização cresce mais lentamente e estabiliza abaixo de 30%. Área entre as duas curvas sombreada indicando o "gap de absorção produtiva". Título: "Urbanização e industrialização na América Latina (1950–2020)". Nota na imagem: "Elaboração didática com base em dados da CEPAL, 2022". Eixo y: percentual (%); eixo x: décadas. Registro acadêmico. | grafico_urbanizacao_industrializacao.png | landscape **12.** [I3] O gráfico acima representa a evolução comparativa das taxas de urbanização e de industrialização na América Latina entre 1950 e 2020. Observe o gráfico acima. Com base na relação entre urbanização e industrialização evidenciada no gráfico, a formação de favelas e assentamentos precários nas metrópoles latino-americanas pode ser explicada pela A) expansão industrial nas zonas centrais que, ao concentrar empregos, atraiu populações rurais que passaram a construir habitações informais nas proximidades das fábricas. B) discrepância entre o crescimento da população urbana e a capacidade das economias regionais de gerar emprego formal e oferecer habitação adequada, forçando parcelas populacionais a ocupar terras marginais e zonas de risco. C) política deliberada dos governos latino-americanos de concentrar investimentos em habitação popular nas periferias, estimulando a ocupação informal dessas áreas como estratégia de descentralização urbana. D) redução progressiva das taxas de industrialização a partir dos anos 1980, que teria causado o esvaziamento das cidades e a deterioração das habitações nas áreas centrais. --- **13.** [P3] Leia com atenção o trecho a seguir sobre a segregação socioespacial nas metrópoles brasileiras e responda ao que se pede. A pesquisa sobre o Rio de Janeiro revela que a segregação nas metrópoles latino-americanas opera por um "duplo modelo": a divisão espacial centro-periferia coexiste com a distinção favela/não-favela em todas as zonas da cidade. Isso significa que favelas não se restringem às periferias distantes; elas existem também em áreas centrais, criando um padrão mais complexo do que simples anéis concêntricos de riqueza e pobreza. Adaptado de: GOMES-RIBEIRO, M.; QUEIROZ-RIBEIRO, L.C. Segregação socioespacial e desigualdades de renda da classe popular na metrópole do Rio de Janeiro, Brasil. *EURE*, Santiago, 2021. a) Explique o que os autores denominam "duplo modelo" de segregação e por que a simples divisão centro-periferia é insuficiente para descrever a segregação nas metrópoles latino-americanas. b) Identifique dois fatores históricos, econômicos ou sociais que explicam a presença de favelas em áreas centrais de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. --- **14.** [P4] Com base nos conceitos estudados e na análise das metrópoles latino-americanas, analise a seguinte afirmação: "A concentração de favelas, alagados e zonas de risco em determinadas áreas das metrópoles latino-americanas não é resultado de escolhas individuais dos moradores, mas de um processo histórico e estrutural de exclusão do mercado formal de habitação." Identifique dois fatores estruturais — um de natureza econômica e um de natureza política-institucional — que sustentam essa afirmação, utilizando exemplos concretos de cidades da América Latina. --- **Images:** - https://storage.googleapis.com/teachy-classroom-contents/images-v2/d25d8ab3-16b9-4e31-a57e-0f6f553fbdcb/imported/v2_0_17.jpg — Vista aérea da Favela de Rocinha, Rio de Janeiro: densidade construtiva e padrão de ocupação informal em área de encosta. | Attribution: Fonte: Manually imported - https://storage.googleapis.com/teachy-classroom-contents/images/imported/18edac385dadd9cf951cf60f260df1dacd0dcfae224b0a2fa0181b6836a02a27.jpg — Assentamento informal na periferia da Cidade do México: ruas sem pavimentação, habitações precárias e fiação exposta ilustram padrões de segregação além do Brasil. | Attribution: Fonte: Daveness_98 - Openverse (flickr) [INTERACTIVE: d-rp | Escaneie para responder as questões discursivas deste capítulo na plataforma Teachy e receber correção com feedback automático]
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