Gênero Narrativo: Crônica

[Sequence 0] [Sequence 1] # Gênero Narrativo: Crônica A crônica é um gênero narrativo que transforma acontecimentos do cotidiano em objeto de reflexão literária.[[2]] Publicada em jornais e revistas, combina brevidade jornalística com profundidade interpretativa literária. Este capítulo formaliza os elementos estruturais que organizam a crônica narrativa e define os critérios para sua identificação em textos lidos. [Sequence 2] O aluno já conhece os elementos constitutivos da narrativa literária — narrador, personagens, tempo, espaço e enredo —, bem como a distinção entre fato e opinião em textos de campos distintos. Esses conceitos funcionam como base direta para a análise estrutural da crônica. [Sequence 4] ## A Crônica como Gênero Narrativo A crônica é definida como um gênero textual predominantemente narrativo que trata do cotidiano, apresenta poucos personagens, tem tempo e espaço bem definidos e pode adotar tom de humor.[[3]] O termo deriva do grego *chronos* ("tempo"), o que evidencia sua origem como registro temporal: inicialmente, a crônica servia à documentação histórica, narrando eventos na ordem em que ocorriam.[[4]] No Brasil, o gênero ganhou prestígio literário ao longo do século XX, por meio de autores que o cultivaram sistematicamente na imprensa. Uma das características fundamentais do gênero é sua capacidade de extrair significados profundos a partir do comum e do ordinário.[[2]] Esse paradoxo — aparente simplicidade formal, profundidade de conteúdo — é o traço que distingue a crônica literária da notícia e do registro documental. A crônica não informa apenas: ela interpreta, reflete e revela o particular como acesso ao universal. [chapter-section: Perfil] **PERFIL** Carlos Drummond de Andrade (1902–1987), poeta e cronista de Itabira (MG), publicou crônicas regularmente no *Jornal do Brasil* e em *O Globo*. Reconhecido como um dos maiores escritores brasileiros, Drummond transitou com igual maestria entre o poema e a crônica, conferindo ao gênero a densidade lírica que o distingue do relato puramente jornalístico. Rubem Braga (1913–1990), nascido em Cachoeiro de Itapemirim (ES), é considerado o maior cronista brasileiro e publicou em jornais por mais de cinco décadas; suas crônicas capturam o instante cotidiano com precisão e sensibilidade incomuns. Clarice Lispector (1920–1977) assinou crônicas semanais no *Jornal do Brasil* entre 1967 e 1973, espaço em que a subjetividade e a observação do cotidiano ganham expressão de alta complexidade literária. **Images:** - https://storage.googleapis.com/teachy-classroom-contents/images/imported/bc92207a69e78de69627fc631fe697c169a2fe53f031fde7fa12b961c2d97aaf.png — Fotografia histórica mostrando Carlos Drummond de Andrade em interação com Fayga Ostrower e Marcos André em evento literário. | Attribution: Fonte: Wikimedia Commons ## Elementos Estruturais da Crônica Narrativa A crônica narrativa organiza-se em três elementos estruturais: a situação inicial, o conflito cotidiano e o desfecho.[[3]] A identificação precisa desses elementos em um texto lido é o procedimento analítico central deste capítulo. ### Situação Inicial A situação inicial é a etapa em que o leitor é introduzido à narrativa.[[3]] Ela inclui a apresentação dos personagens envolvidos, a identificação do espaço (onde os eventos ocorrem) e a localização temporal (quando ocorrem). Em crônicas, essa abertura costuma adotar tom direto e sintético, situando o leitor imediatamente dentro de um momento específico sem prolegômenos formais. Considere o seguinte fragmento: *"Não consigo me lembrar exatamente do dia em que o outono começou no Rio de Janeiro."*[[1]] A situação inicial está implícita: o narrador (personagem), o espaço (Rio de Janeiro) e o tempo (início do outono) estão dados, ainda que sem marcadores temporais explícitos. Essa imprecisão intencional é estratégia característica do gênero — a crônica pode iniciar *in medias res*, sem apresentação cerimoniosa dos elementos narrativos. **Images:** - [GENERATE] Diagrama acadêmico esquemático com três caixas alinhadas horizontalmente e rotuladas em português brasileiro: "Personagens", "Espaço", "Tempo". Seta indicando que as três caixas compõem a "Situação Inicial". Paleta neutra em tons de azul e cinza. Bordas definidas. Registro de livro-texto. | situacao-inicial-elementos.png | 16:9 ### Conflito Cotidiano O conflito cotidiano constitui a segunda etapa estrutural e merece atenção especial, pois sua função na crônica difere da que exerce em outros gêneros narrativos. Em contos e romances, o conflito é elemento obrigatório — a tensão central que organiza toda a progressão narrativa. Na crônica, porém, diferentemente de outros textos narrativos, não há necessariamente um conflito: narra-se um acontecimento cotidiano que pode ou não envolver tensões, e a escolha fica a critério do autor.[[3]] Quando o conflito existe na crônica, manifesta-se como uma pequena ruptura no cotidiano — uma conversa inesperada, uma reação emocional súbita, um instante de revelação.[[5]] Trata-se de uma perturbação sutil da normalidade, sem a escalada dramática exigida pelo conto ou pelo romance.[[5]] A ausência de conflito, por sua vez, não prejudica a qualidade literária: a crônica pode simplesmente registrar e refletir um acontecimento sem que haja qualquer tensão narrativa. **Images:** - [GENERATE] Diagrama acadêmico esquemático em dois quadros paralelos. Quadro esquerdo: "Conto / Romance" com seta ascendente indicando "Conflito obrigatório → Clímax → Resolução". Quadro direito: "Crônica" com seta horizontal indicando "Situação inicial → Conflito cotidiano (opcional) → Desfecho (aberto)". Paleta neutra em tons de azul e cinza. Bordas definidas. Registro de livro-texto. Todo texto em português brasileiro. | estrutura-cronica-versus-conto.png | 16:9 ### Desfecho O desfecho é o encerramento da crônica. Diferentemente de outros gêneros narrativos, o desfecho da crônica não é necessariamente a resolução da trama.[[3]] O autor pode concluir com uma reflexão, uma imagem final, uma pergunta implícita ou uma observação aberta — deixando ao leitor a tarefa de completar o sentido. Esse traço é constitutivo do gênero: a crônica não exige que tudo seja explicado ou resolvido, porque seu interesse está na qualidade do olhar sobre o acontecimento, não no fechamento do enredo. A tabela a seguir sistematiza os três elementos e seus principais critérios de identificação: | Elemento estrutural | O que introduz | Características na crônica | |---|---|---| | **Situação inicial** | Personagens, tempo, espaço | Tom íntimo; pode ser implícita; sem apresentação cerimoniosa | | **Conflito cotidiano** | Tensão ou ruptura na rotina | Opcional; quando presente, é sutil e cotidiano | | **Desfecho** | Encerramento do texto | Não exige resolução; pode ser reflexivo ou aberto | **Images:** - [GENERATE] Tabela acadêmica com três colunas: "Elemento estrutural", "O que introduz", "Características na crônica". Três linhas de dados: "Situação inicial / Personagens, tempo, espaço / Tom íntimo; pode ser implícita; sem apresentação cerimoniosa"; "Conflito cotidiano / Tensão ou ruptura na rotina / Opcional; quando presente, é sutil e cotidiano"; "Desfecho / Encerramento do texto / Não exige resolução; pode ser reflexivo ou aberto". Cabeçalhos em negrito. Paleta neutra em azul e cinza. Bordas definidas. Registro de livro-texto. Todo texto em português brasileiro. | tabela-elementos-cronica.png | 4:3 [chapter-section: No dia a dia] **No dia a dia** **A crônica como espaço editorial permanente** A crônica brasileira é um gênero historicamente vinculado à imprensa periódica. Desde o século XIX — quando Machado de Assis assinava crônicas em jornais cariocas —, o gênero ocupa colunas regulares de jornais e revistas no Brasil. Esse vínculo institucional persiste na imprensa contemporânea: > A crônica é, antes de tudo, um produto da imprensa. Não há crônica fora do jornal, ou da revista, ou — mais recentemente — do periódico digital. Quando publicada em livro, o que se reúne são crônicas que primeiro saíram em folhetins, suplementos, colunas semanais. Esse vínculo com o periódico não é acidente histórico: é constitutivo do gênero. A crônica nasce datada, dirigida ao leitor de uma semana, de um dia, de uma manhã. SÁ, Jorge de. *A crônica*. 6. ed. São Paulo: Ática, 2005. p. 9. São cronistas canônicos brasileiros: Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector (*Jornal do Brasil*, 1967–1973), Fernando Sabino e Luis Fernando Verissimo. As melhores crônicas, produzidas para um momento específico, tornam-se documentos culturais que transcendem seu contexto original de publicação.[[1]] [INTERACTIVE: a1-sl | Slides interativos com a síntese dos elementos estruturais da crônica narrativa e exemplos comentados disponíveis na plataforma Teachy.] [Sequence 6] ## Praticando **1.** Em crônicas narrativas, os elementos estruturais organizam o texto de forma característica. Identifique a alternativa que apresenta, na ordem correta, os três elementos estruturais fundamentais da crônica narrativa. A) Exposição, desenvolvimento e conclusão argumentativa. B) Situação inicial, conflito cotidiano e desfecho. C) Apresentação de personagens, clímax dramático e resolução. D) Introdução temática, nó da intriga e epílogo reflexivo. **Gabarito:** B **Resolução:** A alternativa B é a correta porque nomeia com precisão os três elementos estruturais da crônica narrativa: a situação inicial, em que o narrador introduz personagens, espaço e tempo; o conflito cotidiano, que corresponde ao evento ou tensão do dia a dia — podendo até estar ausente, conforme a liberdade do gênero; e o desfecho, que encerra a narrativa sem necessariamente resolver todas as tensões. A alternativa A descreve a estrutura de um texto argumentativo, não de uma crônica narrativa. A alternativa C descreve elementos de narrativas com alto teor dramático, como contos e romances, nos quais o clímax é obrigatório. A alternativa D combina terminologia da teoria literária de forma imprecisa, sem refletir a nomenclatura canônica do gênero crônica. --- **2.** Com base nas características do gênero crônica, analise a afirmação a seguir: *"Diferentemente de outros textos narrativos, a crônica narrativa geralmente não possui um conflito. Narra-se um acontecimento cotidiano que pode ou não envolver tensões — a escolha fica a critério do autor."* A respeito do papel do conflito na crônica, é correto afirmar que: A) O conflito é elemento estrutural obrigatório em toda crônica, pois toda narrativa exige uma tensão central. B) A ausência de conflito na crônica indica que o texto não pertence ao campo literário, mas ao jornalístico. C) O conflito na crônica, quando presente, manifesta-se geralmente como uma pequena ruptura no cotidiano dos personagens. D) A crônica substituiu o conflito pelo clímax emocional, que ocorre sempre no parágrafo final do texto. **Gabarito:** C **Resolução:** A alternativa C é a correta porque reflete com precisão o tratamento do conflito no gênero crônica: quando ele existe, tende a aparecer como uma perturbação sutil da rotina — uma conversa inesperada, uma reação emocional breve, um momento de revelação — sem exigir o peso dramático do conto ou do romance. A alternativa A está incorreta porque a crônica admite a ausência de conflito: o narrador pode simplesmente observar e refletir sobre um acontecimento sem que haja tensão. A alternativa B está incorreta porque a ausência de conflito não determina o pertencimento ao campo jornalístico; a crônica é reconhecida como gênero literário independentemente da presença de conflito. A alternativa D introduz o conceito de "clímax emocional obrigatório no parágrafo final", que não é uma característica definidora do gênero. --- **3.** Leia o trecho a seguir, extraído de uma crônica: *"Não tínhamos nada contra eles: o velho, de bigodes brancos, era sério e cordial e às vezes até nos cumprimentava com deferência. O outro homem da casa tinha uma voz grossa e alta, mas nunca interferiu em nossa vida, e passava a maior parte do tempo em uma fazenda fora da cidade."* Uma crônica pode ser estruturada como narrativa, descritiva ou argumentativa. No trecho lido anteriormente, é correto dizer que: A) Predomina a sequência descritiva, pois o cronista mostra as consequências da seriedade de um dos personagens. B) Predomina a sequência narrativa, com a utilização do discurso direto de dois personagens, que agem como elementos centrais do texto. C) Predomina a sequência argumentativa, porque o autor busca convencer os leitores de que todos os homens Teixeiras eram inimigos dos meninos que jogavam futebol na rua. D) Predomina a sequência descritiva, porque o autor detalha sobre as características de dois personagens homens da história. E) Predomina a sequência descritiva, que apresenta o ponto de vista dos Teixeiras e a relação conturbada entre eles e os meninos que jogavam futebol na rua. **Gabarito:** D **Resolução:** A alternativa D é a correta. No trecho, predomina a sequência descritiva, pois o autor se dedica a detalhar as características físicas e comportamentais dos dois homens da família Teixeira — os bigodes brancos do mais velho e a voz grossa do outro. A alternativa A está incorreta porque o trecho não apresenta consequências da seriedade do personagem, mas apenas sua aparência e comportamento. A alternativa B está incorreta porque não há discurso direto no excerto, nem os personagens agem de forma a gerar progressão narrativa. A alternativa C está incorreta porque o trecho não apresenta argumentação; o narrador, ao contrário, expressa ausência de conflito com os Teixeiras. A alternativa E está incorreta porque o ponto de vista adotado é o do narrador — oposto ao dos Teixeiras — e não há relação "conturbada" descrita no trecho. (Fonte: CMM) --- **4.** [I1] A situação inicial de uma crônica cumpre função narrativa específica. Explique o que caracteriza a situação inicial na crônica e de que modo ela se diferencia da situação inicial em outros gêneros narrativos, como o conto. **Resolução:** A situação inicial da crônica introduz personagens, espaço e tempo de forma sintética e frequentemente coloquial, criando uma entrada direta e conversacional na narrativa. Diferentemente do conto, em que a situação inicial costuma estabelecer elementos que serão fundamentais para o desenvolvimento de um conflito central, na crônica essa etapa pode funcionar como ponto de partida para uma simples observação ou reflexão cotidiana, sem necessariamente anunciar tensão dramática. A resposta completa deve mencionar: (1) os elementos introduzidos na situação inicial (personagens, tempo, espaço); (2) o tom íntimo e direto típico da crônica; (3) a diferença em relação ao conto, em que a situação inicial tende a preparar um conflito mais dramático. --- **5.** Considere as características estruturais e linguísticas do gênero crônica estudadas. O desfecho de uma crônica pode ser definido como: A) A etapa em que o conflito central é obrigatoriamente resolvido, restabelecendo o equilíbrio dos personagens. B) O momento final da narrativa, que não precisa necessariamente apresentar resolução da trama, podendo encerrar com reflexão ou observação aberta. C) A passagem em que o narrador revela a moral da história, diferenciando a crônica da fábula pelo tom irônico. D) O segmento conclusivo em que o cronista argumenta em favor de uma tese apresentada na situação inicial. **Gabarito:** B **Resolução:** A alternativa B é a correta porque define com precisão o desfecho da crônica: trata-se do encerramento da narrativa, que goza de liberdade formal e pode concluir sem resolver tensões, deixando ao leitor a tarefa de completar a interpretação. A alternativa A está incorreta porque impõe ao desfecho da crônica a obrigatoriedade de resolução, característica mais própria de narrativas com conflito central consolidado, como o conto tradicional. A alternativa C está incorreta porque a moral é um elemento da fábula, não da crônica; além disso, o tom irônico não é a diferença estrutural entre os gêneros. A alternativa D está incorreta porque apresenta o desfecho como conclusão de tese argumentativa, confundindo a crônica com o texto dissertativo. --- **6.** [P1] Analise o excerto a seguir, produzido com base nas características do gênero crônica, e identifique, de forma justificada, a qual elemento estrutural ele corresponde: situação inicial, conflito cotidiano ou desfecho. *"Era uma manhã comum de segunda-feira. Maria Angélica Ferreira atravessava o corredor do edifício onde trabalhava há doze anos, cumprimentando os colegas com o mesmo aceno de sempre."* **Resolução:** O excerto corresponde à situação inicial da crônica. A resposta deve identificar que: (1) o trecho apresenta a personagem (Maria Angélica Ferreira), o tempo (manhã de segunda-feira) e o espaço (corredor do edifício onde trabalha), que são os elementos constitutivos da situação inicial; (2) o tom é descritivo e introdutório, característico da abertura da narrativa; (3) não há ruptura, tensão ou encerramento — o que descarta conflito cotidiano e desfecho. A justificativa deve articular esses três pontos de forma clara e objetiva. --- **7.** Entre as características que distinguem a crônica de outros gêneros narrativos, destaca-se sua relação com o cotidiano e com a subjetividade do autor. Com base nessa distinção, assinale a alternativa que apresenta um traço EXCLUSIVO da crônica em relação ao conto: A) Presença de personagens com nomes definidos e caracterização física. B) Narração de eventos em sequência temporal com marcadores de tempo. C) Ausência de obrigatoriedade do conflito como elemento estrutural central. D) Uso de linguagem literária com figuras de linguagem e recursos estilísticos. **Gabarito:** C **Resolução:** A alternativa C é a correta porque a dispensabilidade do conflito é característica que distingue especificamente a crônica dos demais gêneros narrativos breves, como o conto, no qual o conflito é elemento estrutural obrigatório. A alternativa A está incorreta porque personagens com nomes e caracterização física aparecem tanto em crônicas quanto em contos. A alternativa B está incorreta porque a narração temporal está presente em ambos os gêneros. A alternativa D está incorreta porque o uso de linguagem literária com figuras de linguagem é recurso comum a todos os gêneros literários narrativos, não exclusivo da crônica. --- **8.** [D1] A crônica é descrita como um gênero que "confere um novo olhar para temas cotidianos" e que, "apesar desta simplicidade aparente, carrega em si uma grande profundidade". Explique de que modo a crônica transforma um acontecimento do dia a dia em objeto de reflexão literária, indicando quais recursos narrativos e de linguagem contribuem para essa transformação. **Resolução:** A resposta completa deve articular os seguintes elementos: (1) a crônica seleciona eventos comuns — uma viagem de ônibus, uma mudança de estação, uma conversa entre vizinhos — e aplica sobre eles o olhar subjetivo e reflexivo do narrador, revelando dimensões que passariam despercebidas em um relato jornalístico neutro; (2) recursos como o ponto de vista em primeira pessoa, o tom coloquial e a linguagem acessível criam proximidade com o leitor e validam a perspectiva pessoal como instrumento de interpretação da realidade; (3) a brevidade do gênero concentra a carga semântica em detalhes precisos, fazendo com que cada elemento descrito adquira peso simbólico. A resposta deve demonstrar compreensão de que a profundidade da crônica não deriva da grandiosidade do tema, mas da qualidade da observação e da reflexão do autor. --- **9.** [P2] Leia as seguintes descrições e identifique, para cada uma, o elemento estrutural da crônica a que corresponde, escrevendo **S** (situação inicial), **C** (conflito cotidiano) ou **D** (desfecho): a) O narrador apresenta o bairro onde mora, descreve a praça central e introduz os moradores que frequentam o local todas as manhãs. b) O mascate que vendia frutas na esquina havia desaparecido; no lugar dele, havia apenas um caixão de madeira empilhado sobre a calçada vazia. c) O narrador olha pela janela do ônibus e pensa que cada passageiro carrega uma história inteira que ele jamais conhecerá — e isso, por si só, já é suficiente. **Resolução:** a) **S** — Situação inicial: apresenta personagens, espaço (o bairro, a praça) e estabelece o cenário da narrativa sem tensão ou encerramento. b) **C** — Conflito cotidiano: registra uma ruptura na rotina do bairro — o desaparecimento do mascate —, que corresponde ao elemento de tensão ou surpresa cotidiana da crônica. c) **D** — Desfecho: o narrador encerra com uma reflexão aberta, sem resolver uma intriga, caracterizando o final típico da crônica, que privilegia a observação e o pensamento sobre a conclusão narrativa. --- **10.** A crônica, originária do grego *chronos* (tempo), desenvolveu-se no Brasil como gênero literário de grande prestígio ao longo do século XX. Considerando essa origem e o perfil do gênero, assinale a alternativa que melhor define a relação entre a crônica e o tempo: A) A crônica registra eventos históricos em ordem cronológica rigorosa, cumprindo função de documento oficial da época. B) A crônica parte de um momento específico e datado para atingir reflexões que transcendem seu contexto original de publicação. C) A crônica rejeita qualquer marcação temporal, apresentando eventos atemporais sem indicação de espaço ou data. D) A crônica organiza o tempo narrativo de forma linear e progressiva, reproduzindo fielmente a sequência dos fatos reais. **Gabarito:** B **Resolução:** A alternativa B é a correta porque expressa a dualidade temporal que define o gênero: a crônica é produzida para um momento específico — frequentemente publicada em jornal ou revista, endereçando o leitor de um dia determinado —, mas as melhores crônicas superam esse contexto e permanecem relevantes, tornando-se documentos culturais de uma época. A alternativa A está incorreta porque confunde a crônica literária com a crônica histórica medieval, que tinha função de registro oficial. A alternativa C está incorreta porque a crônica costuma ter marcação temporal precisa: um dia, uma estação, um acontecimento identificável. A alternativa D está incorreta porque a crônica frequentemente fragmenta ou problematiza a linearidade temporal, privilegiando o olhar subjetivo sobre a sequência factual. --- **11.** [D2] Com base nos elementos estruturais da crônica estudados, elabore uma análise comparativa entre o desfecho da crônica e o desfecho de um conto, indicando a principal diferença entre eles e explicando de que modo essa diferença reflete as finalidades distintas dos dois gêneros. **Resolução:** O desfecho do conto tende a ser conclusivo: resolve o conflito central, responde às tensões acumuladas ao longo da narrativa e encerra o ciclo da história com clareza. O desfecho da crônica, por sua vez, não precisa apresentar resolução — pode encerrar com uma reflexão, uma imagem, uma pergunta implícita ou uma observação aberta, deixando o leitor como coparticipante da interpretação. Essa diferença reflete as finalidades distintas dos gêneros: o conto é construído em torno de um conflito central que exige resolução para cumprir sua estrutura dramática; a crônica prioriza o olhar do autor sobre um momento cotidiano, e seu valor reside na qualidade dessa observação, não na conclusão de uma trama. A resposta completa deve mencionar: (1) definição do desfecho em cada gênero; (2) comparação das funções de cada desfecho; (3) relação com a finalidade do gênero. --- **12.** Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos elementos estruturais da crônica narrativa, da abertura ao encerramento do texto: A) Conflito cotidiano → situação inicial → desfecho. B) Desfecho → conflito cotidiano → situação inicial. C) Situação inicial → conflito cotidiano → desfecho. D) Situação inicial → desfecho → conflito cotidiano. **Gabarito:** C **Resolução:** A alternativa C é a correta porque apresenta a sequência canônica dos elementos estruturais da crônica narrativa: a situação inicial abre o texto, introduzindo personagens, tempo e espaço; o conflito cotidiano — quando presente — corresponde à tensão ou ruptura na rotina; e o desfecho encerra a narrativa. As demais alternativas invertem ou embaralham essa ordem, sem correspondência com a estrutura do gênero. [INTERACTIVE: d-rp | Escaneie para responder os exercícios na plataforma Teachy e receber correção automática com comentários detalhados.]


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