Inglaterra no Século XVII: Guerra Civil, República de Cromwell e Revolução Gloriosa

# Inglaterra no Século XVII: Guerra Civil, República e Revolução Gloriosa [Sequence 1] O século XVII foi para a Inglaterra um período de transformação institucional sem precedentes. A relação entre o poder real e o poder legislativo foi contestada em três momentos sucessivos — a Guerra Civil, a República de Cromwell e a Revolução Gloriosa — que juntos redefiniram as bases do Estado inglês e influenciaram as democracias constitucionais posteriores, incluindo a brasileira. [Sequence 2] No reinado de Carlos I, o Parlamento inglês já acumulava séculos de tradição na aprovação de impostos e leis. Considerando esse contexto, qual documento medieval já havia estabelecido o princípio de que a tributação exigia o consentimento dos representantes do povo? [Sequence 4] ## A Crise entre Coroa e Parlamento A tensão entre monarquia e Parlamento na Inglaterra do século XVII diferencia o caso inglês das monarquias absolutas continentais: enquanto na França Luís XIV concentrava poderes sem limitação institucional, na Inglaterra o Parlamento acumulava séculos de prerrogativas sobre tributação e legislação. A Igreja Anglicana, separada de Roma desde a década de 1530, conviveu com divisões religiosas internas: puritanos exigiam reformas mais radicais, enquanto anglicanos tradicionais defendiam a hierarquia estabelecida.[[2]] Sobre esse terreno fraturado, o conflito político assumiu proporções irreconciliáveis. O rei Carlos I (r. 1625–1649) governou sem convocar o Parlamento entre 1629 e 1640 — período chamado de **Regra Pessoal** ou "Onze Anos de Tirania". Para financiar seu governo sem aprovação parlamentar, recorreu ao *ship money*, imposto medieval cobrado originalmente de condados costeiros, mas que Carlos estendeu ao interior do país — violando a tradição estabelecida desde a Magna Carta de que tributação exigia consentimento parlamentar.[[2]] A ruptura definitiva ocorreu em 1637, quando Carlos tentou impor práticas anglicanas à Escócia presbiteriana, provocando uma rebelião escocesa. Forçado a convocar o Parlamento para financiar uma resposta militar, Carlos enfrentou um Parlamento — o Longo Parlamento, convocado em 1640 — disposto a limitar o poder real, não a financiá-lo. O impasse desembocou na guerra em 1642. **Images:** - https://storage.googleapis.com/teachy-classroom-contents/images-v2/5d206bd3-4e72-4478-bd8e-86486e79729a/imported/v2_0_21.jpg — Retrato de Carlos I da Inglaterra, com trajes reais e insígnias da realeza, ilustrando a autoridade monárquica contestada pelo Parlamento | Attribution: Fonte: Desconhecido - "Portrait of King Charles I of England" ## As Guerras Civis Inglesas (1642–1651) As Guerras Civis Inglesas constituíram, na realidade, uma série de três conflitos armados que se estenderam de 1642 a 1651: **Primeira Guerra Civil (1642–1646):** Realistas (*Cavaliers*, partidários do rei) enfrentaram as forças parlamentaristas (*Roundheads*). A criação do **New Model Army** em 1645 foi decisiva: diferentemente dos exércitos aristocráticos tradicionais, o New Model Army promovia soldados por mérito, combinava propósito religioso e patriótico, e demonstrou superioridade tática incontestável na **Batalha de Naseby** (junho de 1645).[[2]] A rendição da sede realista em Oxford, em junho de 1646, encerrou o primeiro conflito. **Segunda Guerra Civil (1648):** Recusando-se a aceitar as condições parlamentares e convicto de que a lei divina superava os acordos humanos, Carlos I articulou novas revoltas realistas no País de Gales e em Kent. O Parlamento e o Exército as sufocaram. **Terceira Guerra Civil (1651):** Após a execução de Carlos I, realistas escoceses e irlandeses proclamaram seu filho Carlos II. Oliver Cromwell derrotou os escoceses em Worcester, em 3 de setembro de 1651, encerrando a resistência organizada. O custo humano foi devastador: estimam-se **200.000 mortos** como resultado direto ou indireto das guerras civis — aproximadamente 3 a 4% da população inglesa da época, tornando-o o conflito mais sangrento da história britânica.[[3]] **Images:** - https://storage.googleapis.com/teachy-classroom-contents/images/imported/764e09435c7879845678a2536c793a6f574a9f2f2394eb49929d0b094af102fd.jpg — Mapa da Inglaterra e País de Gales em 9 de dezembro de 1643, com regiões realistas (vermelho) e parlamentaristas (azul), evidenciando a divisão territorial da Guerra Civil | Attribution: Fonte: The British Library - "Map of England and Wales, December 9th, 1643" - Wikimedia Commons [chapter-section: Glossário] **GLOSSÁRIO** **Monarquia absoluta:** Sistema em que o rei detém poder ilimitado, não sujeito a leis ou parlamento. **Monarquia constitucional:** Sistema em que os poderes do monarca são limitados por lei e por um parlamento. **Regicídio:** Execução ou assassinato de um rei; a morte de Carlos I em 1649 foi um ato de regicídio. **Direito divino:** Doutrina segundo a qual a monarquia era ordenada por Deus, respondendo apenas a Ele — não às leis ou ao Parlamento. **Soberania parlamentar:** Princípio pelo qual o Parlamento, e não o monarca, é a fonte suprema de autoridade política no Estado. ## A República e o Protetorado de Cromwell (1649–1658) Em janeiro de 1649, o Parlamento processou Carlos I por traição e o executou — ato de **regicídio** que chocou as monarquias europeias.[[1]] A monarquia e a Câmara dos Lordes foram abolidas; a Inglaterra foi declarada uma **Commonwealth**, uma república que alegava governar em nome do povo. O **Parlamento Rump** — o que restava do Longo Parlamento após a expulsão dos membros moderados — assumiu o governo. O período republicano mostrou-se instável. O Parlamento Rump entrou em conflito com o Exército sobre questões religiosas e constitucionais. Em 1653, Oliver Cromwell — comandante-em-chefe do Exército — dissolveu o Parlamento e assumiu o título de **Lorde Protetor**, estabelecendo o **Protetorado** com base no Instrumento de Governo de 1653. Tratava-se, portanto, de governo de um indivíduo sustentado pela força militar — não pelo consentimento parlamentar. Ao morrer em setembro de 1658, seu filho Richard o sucedeu sem a autoridade política e militar do pai. Richard resignou em maio de 1659, evidenciando que a república não havia conquistado uma fonte de legitimidade capaz de prescindir da figura de Cromwell.[[4]] **Images:** - https://storage.googleapis.com/teachy-classroom-contents/images/imported/78754fcfd1c06c905b776d224c5d3dbda921f485371612eaa7b2267eeaf9e036.jpg — Retrato de Oliver Cromwell (c. 1656), por Samuel Cooper, mostrando o Lorde Protetor em armadura — símbolo de sua dupla identidade como militar e estadista puritano | Attribution: Fonte: Samuel Cooper - "Oliver Cromwell" - World History Encyclopedia [chapter-section: Passado e presente] **PASSADO... E PRESENTE! 🏺** O princípio de que a tributação exige o consentimento dos representados — contestado por Carlos I ao cobrar o *ship money* sem aprovação parlamentar — está inscrito no Art. 150 da Constituição Federal de 1988, que veda à União, aos Estados e aos municípios exigir tributo sem lei que o estabeleça. A resistência parlamentar inglesa do século XVII e a tradição constitucional brasileira compartilham o mesmo fundamento: nenhum governante está acima da lei. ## A Restauração e o Caminho para a Revolução Gloriosa (1660–1688) Em 1660, Carlos II foi convidado a retornar ao trono, restaurando a monarquia. As tensões estruturais entre Coroa e Parlamento, porém, permaneceram sem resolução. Carlos II e seu sucessor, Jaime II (r. 1685–1688), continuaram a resistir aos limites parlamentares sobre o poder real. Jaime II foi além: converteu-se abertamente ao catolicismo e tentou criar um exército permanente e ampliar as prerrogativas executivas — alarmando tanto a maioria protestante quanto o Parlamento. Diante da perspectiva de retorno a um absolutismo católico, uma facção de políticos ingleses tomou uma decisão histórica: convidou Guilherme III de Orange — príncipe protestante dos Países Baixos e marido de Maria, filha de Jaime II — a invadir a Inglaterra e assumir o trono. **Images:** - https://storage.googleapis.com/teachy-classroom-contents/images/imported/d3207f7453e646624796f1a9504143e68fea785300e3b91741122bf44d8a18fe.jpg — Pintura a óleo retratando o desembarque de Guilherme III em Torbay, em 5 de novembro de 1688, com a frota holandesa e tropas se aproximando da costa inglesa — início da Revolução Gloriosa | Attribution: Fonte: anonymous - "Landing of William III at Torbay, 5 November 1688" - Wikimedia Commons ## A Revolução Gloriosa e o Assentamento Constitucional (1688–1689) A **Revolução Gloriosa** consistiu na deposição de Jaime II em novembro de 1688 e na instalação de Guilherme III e Maria II no trono. É denominada "gloriosa" porque ocorreu com derramamento mínimo de sangue — em contraste com os mais de 200.000 mortos das guerras civis — e produziu um assentamento político decisivo. A Revolução **estabeleceu permanentemente o Parlamento como poder soberano da Inglaterra**, representando a transição definitiva da monarquia absoluta para a **monarquia constitucional**.[[5]] O Parlamento aprovou o **Bill of Rights em 1689**, formalizando as restrições ao poder monárquico — o rei não poderia mais suspender leis, cobrar impostos, realizar nomeações ou manter exército permanente em tempos de paz sem o consentimento do Parlamento.[[5]] Esse conjunto de disposições, complementado pela obrigatoriedade de reuniões parlamentares regulares e pela liberdade de eleições, ficou conhecido como o **Assentamento da Revolução de 1689**. O fundamento ideológico da Revolução Gloriosa era radical: em vez de afirmar que a monarquia era divina e absoluta, o novo regime implicava um **contrato entre governante e povo**.[[5]] Esse princípio contradiz diretamente a doutrina Stuart e lança as bases da democracia constitucional moderna. ## A Trajetória Constitucional: da Magna Carta ao Bill of Rights Os conflitos do século XVII inglês foram o momento culminante de um processo secular de limitação do poder monárquico, balizado por três documentos fundamentais:[[2]] a **Magna Carta (1215)** estabeleceu que mesmo o rei estava sujeito à lei; a **Petição de Direitos (1628)** proibiu tributação sem aprovação parlamentar e prisão arbitrária — respondendo diretamente à Regra Pessoal de Carlos I; e o **Bill of Rights (1689)** inscreveu a soberania parlamentar como princípio constitucional definitivo. Em 1689, a Inglaterra tornou-se a primeira monarquia constitucional da Europa: o rei reinava, mas o Parlamento legislava e controlava as finanças do Estado. [chapter-section: Zoom 🔬] **ZOOM 🔬** Um equívoco frequente: o Bill of Rights de 1689 não instaurou a democracia plena na Inglaterra. O documento limitou o poder do monarca e garantiu a soberania do Parlamento — mas o Parlamento de 1689 era eleito apenas por proprietários de terra do sexo masculino. A grande maioria da população — mulheres, trabalhadores sem propriedade e os pobres — não tinha direito ao voto. A expansão progressiva do sufrágio ocorreu ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX. Confundir soberania parlamentar com democracia representativa plena é um erro analítico que compromete a compreensão do processo histórico. [INTERACTIVE: a1-mm | Explore o mapa mental interativo sobre a Revolução Inglesa do século XVII — Guerra Civil, Protetorado e Revolução Gloriosa — na plataforma Teachy] ## Exercícios **Questão 1** *(Múltipla escolha)* A Inglaterra do século XVII foi palco de profundas transformações políticas e sociais, culminando na Revolução Gloriosa de 1688. Esse evento é considerado um marco na história do país, pois alterou significativamente a relação de poder entre a Coroa e o Parlamento. Qual foi o principal desdobramento da Revolução Gloriosa em relação ao poder do monarca e à organização política inglesa? A) A consolidação da monarquia parlamentarista, com a supremacia do Parlamento sobre o poder real, limitando as prerrogativas do monarca. B) O fortalecimento do poder absoluto do rei, que passou a governar sem qualquer interferência do Parlamento ou da nobreza feudal. C) A instauração de uma república teocrática, na qual o poder político era exercido exclusivamente por líderes religiosos puritanos. D) A restauração do sistema feudal, com a fragmentação do poder em diversas senhorias e a diminuição da autoridade central do rei. --- **Questão 2** *(Múltipla escolha)* O período da "Regra Pessoal" (1629–1640), durante o reinado de Carlos I, caracterizou-se pelo governo sem a convocação do Parlamento. Para financiar sua administração, o monarca recorreu a mecanismos tributários polêmicos, como o "ship money" — imposto de origem medieval exigido de regiões costeiras, mas cobrado, por Carlos I, também de condados interioranos sem tradição naval. Essa prática tributária contribuiu para desencadear a Guerra Civil inglesa porque A) contradizia o princípio, já consolidado desde a Magna Carta, de que a tributação exigia o consentimento parlamentar. B) demonstrava a intenção do rei de modernizar o sistema fiscal inglês com base em modelos absolutistas continentais. C) atendia às demandas dos comerciantes puritanos, que defendiam a autonomia fiscal das cidades portuárias. D) estabelecia um modelo tributário uniforme para todo o território inglês, eliminando privilégios regionais tradicionais. --- **Questão 3** *(Múltipla escolha)* O New Model Army, criado pelo Parlamento inglês em 1645, diferenciava-se dos exércitos tradicionais da época por promover soldados com base no mérito, e não na origem nobre, combinando propósito religioso e patriótico. A criação do New Model Army foi decisiva para o desfecho da Primeira Guerra Civil inglesa porque A) profissionalizou as forças parlamentaristas e conferiu-lhes superioridade tática, demonstrada de forma conclusiva na Batalha de Naseby. B) permitiu ao Parlamento recrutar mercenários estrangeiros dispostos a enfrentar as tropas cavaleiras do rei Carlos I. C) estabeleceu alianças militares com a Escócia presbiteriana, garantindo reforços decisivos à causa parlamentarista. D) neutralizou a influência religiosa puritana nos conflitos internos, tornando o exército politicamente mais coeso. --- **Questão 4** *(Múltipla escolha)* Após a execução de Carlos I em 1649, a Inglaterra foi declarada uma Commonwealth — uma república sem rei. No entanto, em 1653, Oliver Cromwell dissolveu o Parlamento Rump e assumiu o título de Lorde Protetor, governando com apoio militar. Esse processo evidencia que A) a república inglesa do século XVII enfrentou tensões estruturais entre o poder parlamentar e o poder militar, que foram resolvidas pelo predomínio deste último. B) a execução de Carlos I foi amplamente aprovada pelas monarquias europeias, que reconheceram a legitimidade do novo regime republicano. C) o governo de Cromwell inaugurou um modelo de democracia representativa que serviu de referência para as repúblicas europeias posteriores. D) a dissolução do Parlamento Rump resultou da convergência de interesses entre o Exército e os representantes parlamentares eleitos. --- **Questão 5** *(Discursiva)* A Inglaterra do século XVII passou por intensas transformações político-sociais que culminaram na Revolução Gloriosa. Considerando as particularidades políticas da Inglaterra desse período em contraste com as monarquias absolutistas continentais, caracterize duas dessas particularidades e relacione-as com um desdobramento direto posterior à Revolução Gloriosa. --- **Questão 6** *(Discursiva)* Analise o papel de Oliver Cromwell na Revolução Inglesa, considerando tanto sua atuação militar durante a Guerra Civil quanto as características centrais de seu governo como Lorde Protetor no período da República (Commonwealth). --- **Questão 7** *(Múltipla escolha)* Leia o excerto a seguir, referente ao Bill of Rights inglês de 1689: > "O Bill of Rights de 1689 estabeleceu formalmente um sistema de monarquia constitucional e encerrou os movimentos em direção à monarquia absoluta, ao restringir o poder do monarca, que não poderia mais suspender leis, cobrar impostos, realizar nomeações reais ou manter um exército permanente em tempos de paz sem o consentimento do Parlamento." Com base no excerto e nos processos históricos que antecederam a Revolução Gloriosa, conclui-se que o Bill of Rights de 1689 A) representou a síntese de um processo histórico secular de limitação do poder monárquico iniciado com a Magna Carta de 1215. B) foi um documento inovador sem precedentes na tradição inglesa, criado exclusivamente como resposta à ameaça de Guilherme III de Orange. C) garantiu direitos políticos plenos a todos os ingleses, incluindo o sufrágio universal masculino e feminino a partir de 1689. D) substituiu completamente o papel do monarca na administração do Estado, transferindo o poder executivo ao Parlamento de forma irreversível. --- **Questão 8** *(Discursiva)* A linha evolutiva dos documentos Magna Carta (1215), Petição de Direitos (1628) e Bill of Rights (1689) é frequentemente citada como evidência do desenvolvimento progressivo da soberania parlamentar na Inglaterra. Com base nessa trajetória, explique de que forma cada um desses documentos contribuiu para a consolidação do Estado constitucional inglês ao longo do século XVII. --- **Questão 9** *(Múltipla escolha)* Após a morte de Oliver Cromwell em 1658, seu filho Richard assumiu o cargo de Lorde Protetor, mas renunciou em 1659 por falta de autoridade política e militar. Em 1660, Carlos II foi convidado a retornar ao trono, restaurando a monarquia. A instabilidade do período entre 1658 e 1660 demonstra que A) a legitimidade política na Inglaterra do século XVII dependia tanto do apoio militar quanto da aceitação de uma fonte reconhecida de autoridade, que a república não conseguiu consolidar. B) o Parlamento inglês recusou-se a reconhecer a autoridade de qualquer governante após a execução de Carlos I, tornando inevitável a república permanente. C) a restauração da monarquia foi imposta por potências estrangeiras católicas contrárias ao protestantismo inglês estabelecido durante a República. D) o colapso do Protetorado resultou exclusivamente das disputas religiosas entre anglicanos e puritanos dentro do próprio Exército Parlamentar. --- **Questão 10** *(Discursiva)* Em 1688, parlamentares ingleses convidaram Guilherme III de Orange a invadir a Inglaterra e assumir o trono, depondo Jaime II. O evento ficou conhecido como a Revolução Gloriosa e é descrito por historiadores como uma transformação que estabeleceu um "contrato entre governante e povo", em contraste com a doutrina do direito divino dos reis. Avalie as consequências políticas e sociais da Revolução Gloriosa para a consolidação do Estado inglês, identificando a mudança estrutural que ela representou na relação entre monarquia e Parlamento. --- **Questão 11** *(Múltipla escolha)* As Guerras Civis inglesas (1642–1651) resultaram em custo humano estimado de 200.000 mortos — aproximadamente 3 a 4% da população inglesa da época — e são consideradas o conflito mais sangrento da história britânica. Em contraste, a Revolução Gloriosa de 1688 ocorreu em menos de três meses e com derramamento mínimo de sangue. A comparação entre esses dois eventos permite inferir que A) o acúmulo de experiência política ao longo das décadas anteriores levou os atores políticos ingleses a buscar um acordo negociado em 1688, evitando novo conflito armado. B) a superioridade militar de Guilherme III tornou qualquer resistência armada impossível para Jaime II, eliminando a possibilidade de conflito. C) a ausência de conflito em 1688 evidencia que a questão religiosa havia sido completamente resolvida após a Restauração monárquica de 1660. D) a Revolução Gloriosa foi tecnicamente um golpe de Estado sem legitimidade popular, pois o Parlamento não representava a maioria da população inglesa. --- **Questão 12** *(Discursiva)* A seguir, leia a descrição do processo político inglês do século XVII: > "A Guerra Civil, a República de Cromwell e a Revolução Gloriosa não foram eventos isolados, mas estágios de um processo mais amplo de redefinição da soberania política na Inglaterra." Com base nessa perspectiva, avalie as consequências políticas e sociais desses três eventos para a consolidação das particularidades do Estado inglês, destacando a transformação do conceito de soberania ao longo desse processo. --- [INTERACTIVE: d-rp | Escaneie para responder estas questões na plataforma Teachy e receber correção automática] [Sequence 8] O processo político inglês do século XVII — da Guerra Civil ao Bill of Rights — configurou o modelo de monarquia constitucional que serviu de referência para o constitucionalismo moderno. A trajetória que vai da Magna Carta (1215) ao Assentamento de 1689 demonstra como a soberania política foi progressivamente deslocada do monarca para o Parlamento, mediante conflito armado, experiência republicana e negociação institucional. Compreender cada etapa desse processo — suas causas, rupturas e consequências — é condição para analisar as particularidades do Estado inglês e seus desdobramentos na história política ocidental.


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