Planejamento da Resenha Crítica
# Planejamento da Resenha Crítica [Sequence 1: (a) Contextualized Situation] Eu, Harry Potter, aprendi em Hogwarts que escrever sobre o que outros criaram exige um feitiço delicado: você precisa dar voz ao criador sem sufocar a sua própria voz. Imagine que você acabou de ler um livro que te marcou e alguém pede: "Me fala como foi — e o que você achou dele?" Você não vai simplesmente repetir a história; vai selecionar o que importa, organizar seus pensamentos e apresentar sua opinião com argumentos. Pense nisso como magia, mas de linguagem: transformar leituras em avaliações fundamentadas é exatamente o que a resenha crítica pede de você. Antes de escrever qualquer resenha, existe um passo que muitas pessoas pulam — e é justamente o que transforma um texto mediano em algo poderoso: o **planejamento**. Assim como um mago que estuda a fórmula antes de lançar o feitiço, o resenhador que planeja sabe o que vai dizer, em que ordem e com quais argumentos antes mesmo de escrever a primeira palavra. Isso faz toda a diferença entre uma resenha que convence e uma que apenas repete o enredo. Como você organizaria as informações de um livro para escrever uma avaliação crítica que seja sua, mas também fiel ao autor? Em resumo, o planejamento é o primeiro e mais decisivo passo de toda resenha crítica bem-feita. **Images:** - https://storage.googleapis.com/teachy-classroom-contents/images-v2/829acd1a-9f39-458a-9378-329d1e482cdc/generated/v2_0_8.jpg — Pessoa escrevendo anotações em um caderno, com xícara de café ao lado, representando o processo reflexivo de planejamento de uma resenha crítica | Attribution: Fonte: Desconhecido [Sequence 2: (a) Recall Diagnostic Questions] [D1] Você já leu um livro, assistiu a um filme ou jogou um jogo e depois contou para alguém o que achou — se era bom, ruim, por quê? Como você fez isso? O que você lembrou primeiro: o que aconteceu na história ou o que sentiu sobre ela? [Sequence 4] ## A Resenha Crítica como Gênero Em Hogwarts, aprendi que nomear corretamente cada coisa é o primeiro passo de qualquer feitiço — e aqui, neste capítulo, não é diferente. A **resenha crítica** é um gênero textual híbrido: combina elementos descritivos (apresentar e resumir a obra) com elementos argumentativos (avaliar e opinar com fundamento). Ela vai além do resumo porque inclui o julgamento de quem lê; quem escreve uma resenha é chamado de **resenhador**, e essa voz avaliativa é parte essencial do texto. Neste capítulo, vamos trabalhar com um conto clássico da literatura brasileira como texto de referência: **"A Cartomante"**, de Machado de Assis, publicado originalmente em 1884. Leia o trecho a seguir com atenção — ele será nossa base para toda a prática de planejamento. [chapter-section: Perfil] **Machado de Assis** (1839–1908) é considerado o maior escritor da literatura brasileira. Nascido no Rio de Janeiro, filho de um operário mestiço e de uma lavadeira açoriana, tornou-se autodidata e fundou a Academia Brasileira de Letras. Seu estilo, marcado por ironia fina e profundidade psicológica, é referência até hoje em todo o mundo lusófono. --- **"A Cartomante"** (trecho) — Machado de Assis, 1884 Como daí chegaram ao amor, não o soube ele nunca. A verdade é que gostava de passar as horas ao lado dela; era a sua enfermeira moral, quase uma irmã, mas principalmente era mulher e bonita. [...] Camilo ensinou-lhe as damas e o xadrez e jogavam às noites; — ela mal, — ele, para lhe ser agradável, pouco menos mal. Até aí as cousas. Agora a ação da pessoa, os olhos teimosos de Rita, que procuravam muita vez os dele, que os consultavam antes de o fazer ao marido, as mãos frias, as atitudes insólitas. Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Rita, como uma serpente, foi-se acercando dele, envolveu-o todo, fez-lhe estalar os ossos num espasmo, e pingou-lhe o veneno na boca. Ele ficou atordoado e subjugado. Vexame, sustos, remorsos, desejos, tudo sentiu de mistura; mas a batalha foi curta e a vitória delirante. Um dia, porém, recebeu Camilo uma carta anônima, que lhe chamava imoral e pérfido, e dizia que a aventura era sabida de todos. Camilo teve medo, e, para desviar as suspeitas, começou a rarear as visitas à casa de Vilela. [...] Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu à cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Correram ainda algumas semanas. Camilo recebeu mais duas ou três cartas anônimas, tão apaixonadas, que não podiam ser advertência da virtude, mas despeito de algum pretendente; tal foi a opinião de Rita, que, por outras palavras mal compostas, formulou este pensamento: — a virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem papel; só o interesse é ativo e pródigo. Nem por isso Camilo ficou mais sossegado; temia que o anônimo fosse ter com Vilela, e a catástrofe viria então sem remédio. [...] Combinaram os meios de se corresponderem, em caso de necessidade, e separaram-se com lágrimas. *Fonte: Machado de Assis. "A Cartomante". In: Várias histórias. Rio de Janeiro: Garnier, 1896.* --- Observe o que Machado de Assis está revelando sobre Camilo e Rita: a fraqueza de quem sabe que age errado mas não para; a racionalização que transforma o desejo em destino. Que julgamento o texto parece fazer desses personagens? E quem está "falando" neste conto — apenas o narrador, ou também o próprio Machado, com suas escolhas de linguagem e ironia? Essas perguntas são o coração do planejamento de qualquer resenha. ## As Vozes na Resenha: Quem Fala no Texto? Uma resenha crítica é habitada por, no mínimo, duas vozes distintas — saber distingui-las é o passo mais importante do planejamento. A **voz do autor da obra** traz as ideias, os argumentos e as escolhas que pertencem a quem escreveu o texto resenhado. No caso de "A Cartomante", é a voz de Machado de Assis: os temas que ele escolheu explorar (ilusão, traição, credulidade), as imagens que criou ("Rita, como uma serpente"), as conclusões que o narrador insinua. Essa voz entra na resenha por meio de paráfrases — quando o resenhador reformula as ideias do autor com suas próprias palavras — ou de citações diretas entre aspas. A **voz do resenhador** é a voz de quem escreve a resenha: suas interpretações, julgamentos e argumentos sobre a obra. Quando se afirma que "Machado de Assis expõe uma crítica certeira à tendência humana de buscar certezas onde só existe engano", o resenhador está exercendo sua voz avaliativa. Essa voz é insubstituível — sem ela, a resenha vira apenas um resumo. [chapter-section: Evidências] Leia o trecho abaixo, de uma resenha escolar sobre "A Cartomante", e observe onde aparecem a voz do autor e a voz da resenhadora: > *"No conto, Machado de Assis constrói personagens marcados pela ilusão: Camilo acredita que o amor justifica a traição; Rita confia na cartomante para confirmar o que já deseja ouvir. Para a autora desta resenha, essa escolha do escritor expõe uma crítica certeira à tendência humana de buscar certezas onde só existe engano."* A primeira frase parafraseia as ideias de Machado — são dados que vêm da obra. A segunda frase ("Para a autora desta resenha...") é a interpretação crítica da resenhadora. As duas vozes trabalham juntas, mas cada uma cumpre uma função diferente no texto. ## A Estrutura do Planejamento Vamos investigar isso juntos: antes de escrever qualquer parágrafo, o resenhador precisa organizar o que vai dizer, em que ordem e com que argumentos. Uma resenha crítica bem planejada segue quatro blocos principais. O **primeiro bloco** é a apresentação da obra: título, autor, gênero, data de publicação e contexto. É a âncora factual — anote essas informações antes de qualquer outra coisa. O **segundo bloco** é a síntese das ideias centrais: um resumo seletivo dos temas e conflitos principais, sem revelar desfechos em textos narrativos. O **terceiro bloco** é a análise crítica, o coração da resenha: aqui o resenhador apresenta seus argumentos e julgamentos sobre a obra, fundamentados em exemplos do texto. O **quarto bloco** é a conclusão, com a síntese da avaliação e, se pertinente, uma recomendação ao leitor. **Images:** - GENERATE: Diagrama visual com quatro blocos coloridos e conectados horizontalmente (Apresentação → Síntese das ideias → Análise crítica → Conclusão), cada bloco com um ícone simples — livro, resumo, lupa e estrela — sobre fundo claro | planejamento-resenha-estrutura.png | 16:9 ## O Esquema de Dupla Entrada Com a estrutura em mente, o planejamento se concretiza num esquema. Eu aprendi, em Hogwarts, que anotar antes de escrever é como traçar o mapa antes de entrar numa floresta encantada — sem o mapa, você se perde. Para a resenha crítica, usamos um **esquema de dupla entrada**: de um lado, as informações que vêm da obra (voz do autor); do outro, suas interpretações e argumentos (voz do resenhador). Veja como ficaria um esquema parcial para uma resenha de "A Cartomante": | Elemento | Voz do autor (Machado de Assis) | Voz do resenhador | |----------|----------------------------------|-------------------| | Ideia central | Triângulo amoroso marcado pela ilusão e fatalidade | A obra expõe como as pessoas se enganam para fugir da responsabilidade | | Trecho para citar | "a virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem papel" | Essa frase revela a visão cínica que os personagens constroem para justificar seus atos | | Argumento crítico | Personagens que se sabem errados mas não agem | Machado critica a fraqueza moral disfarçada de destino | Esse esquema torna visível o equilíbrio entre as vozes: se uma coluna ficar muito mais cheia que a outra, o resenhador percebe — antes de escrever — que precisa ajustar o planejamento. Em resumo, o esquema de dupla entrada é a ferramenta que transforma notas soltas em um planejamento coerente e equilibrado. [INTERACTIVE: a1-mm | Acesse o mapa mental interativo sobre planejamento da resenha crítica na plataforma Teachy e visualize a estrutura completa das vozes e blocos] ## Na prática Eu, como bom investigador de Hogwarts, sei que a teoria só faz sentido quando a gente a testa na prática. Vamos praticar o planejamento da resenha a partir do trecho de "A Cartomante" que você leu, começando pelos elementos de estrutura e avançando para a distinção de vozes. [P1] (DOK 1) Leia as afirmações abaixo sobre a estrutura de uma resenha crítica e indique quais elementos fazem parte do planejamento desse gênero: I. Identificar a obra resenhada (título, autor, editora, ano). II. Copiar trechos inteiros do texto sem indicar que são do autor. III. Apresentar um resumo das ideias principais da obra. IV. Registrar a opinião do resenhador sobre a obra. Quais afirmações correspondem a etapas do planejamento de uma resenha crítica? (A) Apenas I e II. (B) Apenas II e III. (C) Apenas I, III e IV. (D) Todas as afirmações. **Gabarito:** C [P2] (DOK 2) Antes de escrever uma resenha, é fundamental fazer anotações e esquemas sobre a obra. Leia o esquema incompleto abaixo, produzido por uma estudante para resenhar o conto "A Cartomante", de Machado de Assis: > **Obra:** "A Cartomante" — Machado de Assis > **Ideia central:** Um triângulo amoroso marcado pelo engano e pela fatalidade. > **Voz do autor:** *[em branco]* > **Voz da resenhadora:** Considero que Machado critica a credulidade humana ao longo do conto. A estudante deixou em branco o espaço destinado à "voz do autor". Explique o que deveria constar nesse espaço e como esse elemento se diferencia da "voz da resenhadora". *Dica: Pergunte-se — quem fala em cada espaço do esquema? De onde vêm as informações de cada parte?* [LINES: 5] [P3] (DOK 2) Ao planejar uma resenha, o resenhador precisa selecionar argumentos e informações relevantes da obra, distinguindo o que é dado pelo autor do que é interpretação própria. Leia as anotações abaixo sobre "A Cartomante": > **Anotação 1:** "Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pôde." (trecho da obra) > **Anotação 2:** Camilo é fraco e covarde — ele sabe que está errado, mas não age. > **Anotação 3:** Rita compara as cartas anônimas ao interesse, não à virtude. > **Anotação 4:** Machado usa a cartomante para mostrar que as pessoas acreditam no que querem acreditar. a) Identifique quais anotações representam a voz do autor da obra (Machado de Assis) e quais representam a interpretação do resenhador. b) Explique por que é importante distinguir essas vozes no planejamento da resenha. *Dica: Observe: qual anotação é um trecho literal? Qual traz um julgamento de valor? Qual é uma paráfrase do que o texto diz?* [LINES: 6] Em resumo, na "Na prática" você exercitou os dois movimentos centrais do planejamento: identificar os elementos estruturais da resenha e separar a voz do autor da voz do resenhador a partir do texto lido. [chapter-section: Biblioteca cultural] Quer conhecer mais contos de Machado de Assis com a mesma intensidade psicológica de "A Cartomante"? Procure o livro *Papéis Avulsos* (1882) ou *Várias Histórias* (1896), disponíveis gratuitamente em domínio público no site da Fundação Biblioteca Nacional (bn.gov.br). São leituras que ampliam muito o repertório para quem quer escrever boas resenhas. ## Exercícios Agora você vai transferir o que aprendeu para situações novas — analisando e planejando com mais autonomia. Que vozes você consegue identificar quando lê uma resenha? Vamos descobrir. [I1] (DOK 3) *Leia o trecho a seguir, retirado de uma resenha crítica escolar sobre o conto "A Cartomante", de Machado de Assis:* > "No conto, Machado de Assis constrói personagens marcados pela ilusão: Camilo acredita que o amor justifica a traição; Rita confia na cartomante para confirmar o que já deseja ouvir. Para a autora desta resenha, essa escolha do escritor expõe uma crítica certeira à tendência humana de buscar certezas onde só existe engano. Ao retratar Camilo como alguém que 'quis sinceramente fugir, mas já não pôde', Machado nos apresenta uma personagem que prefere se ver como vítima do destino a assumir a responsabilidade por suas escolhas." Nesse trecho de resenha, a estudante mobiliza diferentes vozes. Quais são elas e como cada uma contribui para a construção da avaliação crítica? (A) A voz do narrador do conto, a voz da cartomante e a voz da resenhadora — cada uma apresenta um ponto de vista sobre o amor. (B) A voz do autor da obra (paráfrase das ideias do conto), a voz da resenhadora (interpretação crítica) e a voz do próprio Machado (citação do texto) — juntas, fundamentam o argumento avaliativo. (C) A voz do narrador, a voz da resenhadora e a voz do leitor implícito — formando um diálogo entre perspectivas opostas. (D) A voz da resenhadora, a voz dos personagens (Camilo e Rita) e a voz da cartomante — representando os conflitos internos da obra. (E) A voz do autor, a voz do leitor e a voz do narrador — todas igualmente responsáveis pela avaliação da obra. **Gabarito:** B [I2] (DOK 2) *Uma turma de 8º ano recebeu a tarefa de planejar uma resenha crítica do conto "A Cartomante". Um dos grupos produziu o seguinte esquema:* > **Bloco 1 — Apresentação da obra** > Título, autor, ano de publicação, gênero. > > **Bloco 2 — Resumo das ideias centrais** > Triângulo amoroso; cartas anônimas; consulta à cartomante; desfecho trágico. > > **Bloco 3 — Vozes a mobilizar** > *(em branco)* > > **Bloco 4 — Argumento crítico** > O grupo considerou o conto relevante porque aborda temas universais como traição e ilusão. O Bloco 3 do esquema foi deixado em branco. Preencha esse bloco, listando as vozes que uma resenha crítica desse conto deve mobilizar e indicando, para cada uma, um exemplo de como ela poderia aparecer no texto da resenha. [LINES: 6] [I3] (DOK 3) *Considere a seguinte situação: você vai escrever uma resenha crítica de "A Cartomante" para um blog escolar. Antes de começar a escrever, precisa planejar a estrutura da resenha, decidindo quais informações incluir, em que ordem apresentá-las e como organizar as diferentes vozes envolvidas.* Com base no que você aprendeu sobre planejamento de resenha crítica, elabore um esquema detalhado para essa resenha, contemplando: a) Os blocos principais da estrutura da resenha e o que cada um deve conter. b) As vozes que serão mobilizadas e como cada uma será indicada no texto (citação direta, paráfrase ou opinião do resenhador). c) O argumento central que sua análise vai defender. [LINES: 10] Em resumo, planejar uma resenha crítica significa organizar, antes de escrever, tanto as informações da obra quanto os seus próprios argumentos — garantindo que as vozes do autor e do resenhador apareçam de forma equilibrada e fundamentada no texto final. [INTERACTIVE: b-wt | Acesse a plataforma Teachy para enviar seu esquema de planejamento e receber feedback com correção por inteligência artificial]
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