Produção de Crônica

# Produção de Crônica No subcapítulo anterior, foram estudados os constituintes estruturais da crônica e a etapa de planejamento — definição de tema, público-alvo, objetivo comunicativo e organização narrativa. Formalizados esses elementos, inicia-se a etapa de textualização: o ato de converter o plano em texto escrito, mobilizando os recursos expressivos próprios do gênero.[[3]] ## Da ideia ao texto: a textualização A textualização é a etapa em que o escritor transforma as decisões de planejamento em linguagem concreta, construindo frases, parágrafos e cenas.[[1]] Nessa fase, a prioridade é a expressão das ideias planejadas; a preocupação com a correção ortográfica e gramatical é secundária. O objetivo central é produzir um rascunho completo que contenha a abertura, o desenvolvimento e a conclusão da crônica. Durante a textualização, o cronista toma decisões fundamentais sobre como apresentar o material planejado: qual cena abre o texto, em que momento a voz narrativa intervém com reflexão, quais detalhes sensoriais tornam a situação reconhecível para o leitor. Essas escolhas determinam o efeito que o texto produzirá e distinguem a crônica do simples relato factual. **Images:** - https://storage.googleapis.com/teachy-classroom-contents/images/imported/4e2d30079f5d2d0cd3af312d78c844bc667f41d4941c76132731ecd7484efea8.jpg — Escritor brasileiro em seu escritório discutindo uma obra literária com colaboradores, com pilhas de papéis e máquina de escrever ao fundo — imagem do processo de escrita em ação | Attribution: Fonte: Diversos - Wikimedia Commons ## Recursos expressivos na escrita da crônica A crônica se diferencia do texto jornalístico pela mobilização de recursos expressivos que constroem o olhar subjetivo do narrador sobre o cotidiano. Esses recursos não são ornamentos opcionais: são instrumentos que produzem efeito de sentido e determinam a qualidade literária do texto.[[5]] ### Voz narrativa subjetiva A voz narrativa subjetiva é o principal recurso diferenciador da crônica. O cronista não apenas descreve o que aconteceu — exprime como observou, sentiu ou interpretou o evento. Essa subjetividade manifesta-se por meio de comentários, ironias, reflexões intercaladas à narrativa ou pela seleção deliberada de detalhes que revelam o ponto de vista do narrador. A primeira pessoa do singular é a escolha mais frequente no gênero, pois estabelece o cronista como observador e participante direto, gerando proximidade com o leitor. O uso da terceira pessoa também é possível, desde que a perspectiva avaliativa do narrador permaneça presente. O critério não é a pessoa gramatical, mas a presença do olhar interpretativo sobre os fatos. ### Detalhe sensorial e cena específica O detalhe sensorial ancora a crônica em uma realidade concreta e reconhecível. Imagens visuais, sons, sensações físicas e referências espaciais precisas produzem o efeito de imersão que diferencia a crônica da generalização abstrata. Uma abertura eficaz não anuncia o tema de forma vaga: apresenta uma cena particular — um objeto, um gesto, uma fala — que situa imediatamente o leitor na experiência narrada. A especificidade é um critério de qualidade na textualização: *às seis e quarenta e dois, o despertador disparou* é mais eficaz que *cedo de manhã, fui acordado*, porque o detalhe preciso cria verossimilhança e instaura um tom narrativo reconhecível. Aberturas vagas como *uma coisa interessante aconteceu* não constroem cena; apenas anunciam intenção. ### Linguagem figurada A linguagem figurada — metáforas, comparações, personificações e ironias — permite ao cronista ir além da descrição literal e construir imagens que transmitem percepção, sentimento ou crítica social com economia de palavras.[[5]] A personificação de objetos inanimados, por exemplo, cria efeito humorístico ou crítico com precisão. A ironia consiste em dizer o contrário do que se quer significar de forma que o leitor compreende a distância entre os dois sentidos — é um dos recursos mais característicos da tradição cronística brasileira. A linguagem figurada deve ser funcional: cada figura de linguagem empregada deve produzir um efeito de sentido identificável no texto, e não decorar a superfície sem contribuição para o significado. ### Diálogo e oralidade O diálogo reproduz falas de personagens com precisão e imediaticidade, criando a sensação de que o leitor assiste à cena, não apenas lê sobre ela. O registro oral das falas — com marcas de oralidade, vocabulário coloquial pertinente, interrupções e hesitações — contribui para a autenticidade dos personagens e para o ritmo do texto. O diálogo também é um mecanismo econômico de caracterização: o modo como um personagem fala revela sua posição social, seu estado emocional ou sua relação com o narrador sem que o autor precise explicitar esses elementos. [chapter-section: Glossário] **textualização** (s.f.): etapa do processo de escrita em que o autor converte o planejamento em texto concreto, produzindo o rascunho inicial. A prioridade nessa fase é a expressão das ideias; o aprimoramento formal ocorre posteriormente. **voz narrativa subjetiva** (s.f.): presença explícita do ponto de vista, dos sentimentos ou das interpretações do narrador na construção do texto, em oposição à narração impessoal e factual. Na crônica, é o principal recurso de distinção em relação ao texto jornalístico. **linguagem figurada** (s.f.): conjunto de recursos expressivos — metáforas, comparações, personificações, ironias, entre outros — que produzem sentido além do significado literal das palavras, construindo imagens, transmitindo emoções ou formulando críticas de forma indireta e esteticamente elaborada. **in medias res** (loc. lat.): estratégia de abertura narrativa que inicia o texto diretamente no meio da ação ou situação, sem introdução prévia. Cria imersão imediata e elimina apresentações desnecessárias. ## A abertura da crônica: como começar A abertura é o elemento mais crítico da textualização. Ela determina se o leitor continuará a leitura e estabelece o tom e a perspectiva de todo o texto. As estratégias de abertura mais eficazes no gênero incluem: a cena *in medias res* (que inicia diretamente na situação, sem introdução prévia), a observação precisa de um detalhe aparentemente insignificante, a fala de um personagem que instala imediatamente um conflito ou um humor, e a reflexão que anuncia a perspectiva do cronista antes de apresentar o evento. As aberturas anunciativas e genéricas devem ser evitadas — elas descrevem a intenção do texto sem realizá-la. A abertura eficaz realiza: cria imagem, instala voz e situa o leitor em uma cena concreta. ## O desenvolvimento e a conclusão O desenvolvimento desdobra a cena inicial, aprofundando a reflexão ou o evento com detalhes, diálogos e perspectiva do narrador. O cronista equilibra narrativa e comentário: narra o que aconteceu e intercala sua leitura do significado daquilo que narra. A proporção entre ação e reflexão varia conforme o objetivo — uma crônica mais lírica inclui mais reflexão; uma crônica mais humorística privilegia a narrativa com ironia embutida. A conclusão deve oferecer uma virada de perspectiva ou uma reflexão final que confira sentido ao texto como um todo. Uma frase precisa, uma imagem que condensa o significado da crônica ou uma ironia que amplia a reflexão proposta — essas são marcas de uma conclusão eficaz no gênero. **Images:** - https://storage.googleapis.com/teachy-classroom-contents/images/imported/fa52ebddec1b33119f53d4f7328a24b0205a9bbe2553bd60ab1a5600147b145d.jpg — Retrato de Machado de Assis, maior expoente da literatura brasileira e cronista de referência da tradição do gênero | Attribution: Fonte: Unknown - Wikimedia Commons [chapter-section: Perfil] **Machado de Assis** (Rio de Janeiro, 1839–1908) é o maior nome da literatura brasileira. Fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, produziu romances, contos, peças de teatro e uma extensa obra cronística publicada nos principais jornais cariocas de sua época. Suas crônicas, reunidas em volumes como *Bons Dias!* (1888–1889) e *A Semana* (1892–1900), combinam ironia refinada, observação precisa da sociedade e linguagem que transita entre o coloquial e o literário — modelo central da tradição do gênero no Brasil. [chapter-section: Biblioteca cultural] A crônica brasileira tem em Machado de Assis, Rubem Braga, Clarice Lispector e Luís Fernando Veríssimo seus expoentes mais representativos. Rubem Braga (Cachoeiro de Itapemirim, 1913–1990) é considerado o maior cronista brasileiro do século XX: suas crônicas, publicadas por décadas em jornais como *O Globo*, transformam observações simples — uma flor, uma viagem, um encontro — em reflexões sobre a condição humana. Clarice Lispector (1920–1977), conhecida pelos romances, produziu também crônicas marcantes para o *Jornal do Brasil* entre 1967 e 1973, nas quais a perspectiva introspectiva e a precisão da linguagem são recursos dominantes. Ler crônicas desses autores antes de escrever a própria é uma prática eficaz para a internalização dos recursos expressivos do gênero. [INTERACTIVE: a1-mm | Acesse o mapa mental interativo sobre os recursos expressivos da crônica e os critérios de produção na plataforma Teachy] [Sequence 6] ## Exercícios **1.** [I1] Um cronista utiliza a linguagem para transformar uma cena comum do cotidiano, como a espera no ponto de ônibus, em um texto literário. Qual recurso expressivo é essencial nesse processo para que a crônica evoque emoções e reflexões, indo além da mera descrição? A) A apresentação de dados estatísticos e citações de especialistas para fundamentar a veracidade dos acontecimentos. B) A exploração da subjetividade do autor, que imprime suas impressões e sentimentos pessoais sobre o fato observado. C) O uso exclusivo da terceira pessoa e de uma linguagem formal para garantir a imparcialidade dos fatos narrados. D) A construção de um enredo complexo com múltiplos personagens e reviravoltas inesperadas, típico de um romance. **Gabarito:** B — A subjetividade e a pessoalidade na escrita são cruciais, pois permitem ao cronista infundir suas próprias percepções, sentimentos e interpretações na narrativa, transformando o ordinário em algo significativo e ressonante para o leitor. As alternativas A, C e D descrevem atributos de outros gêneros (reportagem, notícia e romance, respectivamente), incompatíveis com as características da crônica. --- **2.** [I2] Ao ler uma crônica que comenta as interações em redes sociais, o leitor percebe que o cronista expressa desânimo com a superficialidade das relações virtuais. Qual recurso utilizado pelo autor transmite essa sensação? A) A inclusão de depoimentos de vários usuários de redes sociais para sustentar sua tese. B) A utilização de gráficos e tabelas para demonstrar a queda na qualidade das interações virtuais. C) A descrição objetiva das funcionalidades das redes sociais, sem qualquer juízo de valor. D) A seleção cuidadosa de palavras e expressões conotativas, que revelam a percepção subjetiva e a crítica do cronista. **Gabarito:** D — Palavras e expressões conotativas são o principal instrumento do cronista para transmitir perspectiva subjetiva e crítica social. As alternativas A e B caracterizam recursos jornalísticos de natureza documental; a alternativa C, ao pressupor objetividade e ausência de juízo de valor, contraria a própria essência do gênero. --- **3.** [P1] Um estudante produziu o seguinte rascunho de abertura: *"Ontem eu fui na escola e aconteceu uma coisa. Foi muito interessante e eu gostei muito."* Identifique dois problemas presentes nessa abertura em relação aos critérios do gênero crônica e proponha, para cada um, uma estratégia específica de revisão durante a textualização. **Gabarito:** - **Problema 1 — ausência de cena específica ou detalhe sensorial:** a abertura é genérica e não situa o leitor em uma cena concreta. Estratégia: substituir o enunciado vago por uma cena de abertura com detalhe específico (imagem, som, diálogo ou observação precisa). - **Problema 2 — linguagem imprecisa e repetitiva (*coisa*, *muito interessante*, *gostei muito*):** as escolhas lexicais são indefinidas e não constroem voz narrativa. Estratégia: substituir os termos vagos por vocabulário preciso e expressivo que transmita a perspectiva do narrador. - Respostas que identificam um dos dois problemas e propõem estratégia coerente recebem crédito parcial. --- **4.** [P2] Leia o trecho a seguir, extraído de um rascunho de crônica: *"Na fila do banco, havia muitas pessoas. Todas esperavam. O atendimento demorou muito. As pessoas ficaram com raiva."* a) Identifique dois recursos expressivos ausentes nesse trecho que, se incorporados durante a textualização, transformariam o relato em crônica. b) Reescreva o trecho incorporando os dois recursos que você identificou. **Gabarito:** - **a)** Recursos ausentes: (1) **voz narrativa subjetiva** — o trecho narra fatos de forma impessoal, sem a perspectiva interpretativa ou emocional do narrador; (2) **detalhe sensorial ou linguagem figurada** — as situações são descritas de modo genérico, sem imagens concretas, comparações ou personificações que tornem a cena vívida. Outras respostas válidas: ausência de ironia, de diálogo ou de especificidade temporal. - **b)** Resposta aberta. Critérios: o trecho reescrito deve incluir a perspectiva do narrador (comentário, ironia, reflexão) e ao menos um detalhe sensorial ou figura de linguagem identificável. A reescrita não precisa seguir modelo fixo. --- **5.** [P3] Considere o seguinte par de aberturas para uma crônica sobre um engarrafamento: **Abertura A:** *"Hoje houve muito trânsito na cidade. As ruas estavam congestionadas e muitas pessoas chegaram atrasadas ao trabalho."* **Abertura B:** *"O carro à minha frente não se movia há vinte minutos. Ao longe, uma buzina insistia — não em pedir passagem, mas em perguntar ao asfalto por que ele havia decidido parar o mundo naquela tarde."* a) Explique, com base em ao menos dois recursos expressivos, por que a Abertura B é mais adequada ao gênero crônica do que a Abertura A. b) Identifique a figura de linguagem presente na frase *"perguntar ao asfalto por que ele havia decidido parar o mundo"* e explique o efeito de sentido que ela produz. **Gabarito:** - **a)** A Abertura B mobiliza: (1) **detalhe sensorial e especificidade temporal** (*não se movia há vinte minutos*), que ancora o narrador em uma cena concreta em vez de generalizar; (2) **voz narrativa subjetiva** (*à minha frente*), que posiciona o cronista como participante; (3) **personificação e ironia** na frase sobre a buzina, que transforma um fato banal em comentário sobre a situação. A Abertura A apenas enuncia fatos sem perspectiva interpretativa ou recursos literários. - **b)** Personificação — o asfalto é tratado como agente capaz de *decidir* e de receber uma *pergunta*. O efeito é o deslocamento da responsabilidade pelo caos urbano para um elemento inanimado, criando ironia e humor crítico: o narrador sabe que o asfalto não decide nada, mas a personificação expressa a sensação de impotência e absurdo vivida no engarrafamento. --- **6.** [P4] Uma estudante escreveu uma crônica sobre a fila de uma UBS (Unidade Básica de Saúde) no bairro onde mora. Ao reler o texto com um colega, recebeu o comentário: *"Seu texto descreve bem a fila, mas parece um texto de jornal — não consigo sentir o que você pensa sobre aquilo."* Que ajuste específico a estudante deve realizar na textualização para que o texto adquira as características do gênero crônica? Explique de que forma esse ajuste altera a relação entre narrador e leitor. **Gabarito:** - O ajuste necessário é a **inserção da voz subjetiva do cronista**: a estudante deve introduzir suas impressões, sentimentos ou interpretações sobre a cena observada, transformando a narração descritiva em uma perspectiva pessoal. - Estratégias concretas: uso da primeira pessoa para exprimir reação emocional ou reflexão; inserção de comentário irônico, melancólico ou crítico sobre a situação; substituição de enunciados factuais por imagens ou metáforas que traduzam a percepção do narrador. - Efeito na relação narrador–leitor: a subjetividade cria proximidade e cumplicidade — o leitor não apenas entende o que aconteceu, mas é convidado a compartilhar o olhar e a reflexão do cronista sobre o fato. --- **7.** [D1] Muitas crônicas utilizam a linguagem figurada para expressar ideias. Leia o trecho a seguir: *"O metrô às sete da manhã é uma sardinheira humana em movimento — cada corpo prensado contra o próximo, cada olhar fixo no nada, cada silêncio ensaiado com cuidado para não precisar falar com ninguém."* a) Identifique a figura de linguagem usada no início do trecho e explique a crítica social que ela veicula. b) Explique como o detalhamento que se segue (*cada corpo prensado*, *cada olhar fixo*, *cada silêncio ensaiado*) contribui para o efeito de sentido da crônica. **Gabarito:** - **a)** Comparação (ou metáfora implícita) — *sardinheira humana* equipara os passageiros a sardinhas enlatadas, criticando a superlotação do transporte público e, de forma mais ampla, a desumanização das relações em contextos urbanos de massa. - **b)** A repetição anafórica de *cada* cria um ritmo enumerativo que reproduz a monotonia e a impessoalidade da cena. Cada detalhe acrescenta uma dimensão da alienação urbana (física, visual, comunicativa), ampliando o alcance da crítica além do fato literal do metrô cheio. --- **8.** [D2] Considere os seguintes trechos retirados de rascunhos de crônicas de alunos do 8º ano: **Trecho I:** *"Todo dia a mesma coisa. Acordo, como, vou para a escola, volto, durmo. Não sei por que vivo assim."* **Trecho II:** *"Na manhã de terça, a professora entrou na sala com uma pasta vermelha debaixo do braço. Aquela pasta, todos sabíamos, só aparecia em dias de prova."* a) Identifique qual dos dois trechos se aproxima mais das características de uma crônica eficaz e justifique sua resposta com base em ao menos dois recursos expressivos presentes no trecho escolhido. b) Reescreva o Trecho I incorporando ao menos dois recursos expressivos que o tornem mais próximo do gênero crônica. **Gabarito:** - **a)** O Trecho II se aproxima mais das características da crônica eficaz. Recursos presentes: (1) **especificidade temporal e espacial** (*manhã de terça*, *entrou na sala*), que ancora a cena em um contexto concreto; (2) **detalhe sensorial com carga simbólica** (*pasta vermelha*), que transforma um objeto comum em elemento de tensão narrativa; (3) **voz coletiva** (*todos sabíamos*), que inclui o leitor no grupo e cria cumplicidade narrativa. - **b)** Resposta aberta. Critérios: presença de detalhe concreto ou sensorial; introdução de perspectiva subjetiva do narrador; uso de pelo menos um recurso expressivo identificável (metáfora, ironia, comparação, personificação). A reescrita deve demonstrar que a crônica transforma a cena por meio do olhar do narrador. --- **9.** [D3] Discorra sobre como o uso da primeira pessoa do singular contribui para a construção da identidade do cronista no texto e para o estabelecimento de uma relação de proximidade com o leitor. Cite um efeito concreto dessa escolha na recepção da crônica. **Gabarito:** A primeira pessoa do singular estabelece o cronista como observador e participante direto dos eventos, construindo uma identidade autêntica e pessoal. Essa voz narrativa permite ao autor expressar opiniões e sentimentos de forma íntima, gerando uma sensação de confidência e proximidade com o leitor. Um efeito dessa escolha é a facilitação da identificação do leitor com as experiências e reflexões do cronista, tornando o texto mais engajador e acessível. Respostas que identificam a função da voz narrativa e apontam ao menos um efeito concreto na recepção do texto recebem pontuação plena. --- **10.** [D4] Considere a seguinte proposta de produção textual: *Escreva uma crônica sobre um momento cotidiano em um espaço urbano de sua cidade — uma fila, uma praça, um ônibus, uma esquina. O texto deve ter entre 15 e 20 linhas.* Antes de escrever, elabore um plano de textualização que indique: (a) a cena de abertura específica que você utilizará; (b) o recurso expressivo principal que organizará o olhar do narrador (voz subjetiva, linguagem figurada, diálogo ou detalhe sensorial); (c) a ideia ou reflexão com que o texto se encerrará. Em seguida, escreva a crônica completa. **Gabarito:** Resposta discursiva aberta. Critérios de avaliação do plano: - **(a) Cena de abertura:** deve ser específica e concreta, não genérica. Ausência de cena identificável ou abertura anunciativa indica que o estudante não domina o critério de especificidade. - **(b) Recurso expressivo:** o estudante deve nomear e aplicar o recurso com consciência. A presença do recurso no texto produzido é evidência de aplicação; a ausência indica que o plano não foi operacionalizado. - **(c) Encerramento:** deve oferecer reflexão, virada ou imagem — não repetição do que já foi dito. Critérios de avaliação da crônica: presença de voz narrativa subjetiva; ao menos um recurso expressivo identificável e funcional; organização narrativa com abertura, desenvolvimento e conclusão reconhecíveis; linguagem adequada ao gênero. [INTERACTIVE: d-rp | Escaneie o QR code para responder às questões discursivas na plataforma Teachy e receber correção automática com feedback detalhado] --- **Images:** **Banco de dados:** | URL | Descrição | Uso sugerido | Attribution | |-----|-----------|--------------|-------------| | https://storage.googleapis.com/teachy-classroom-contents/images/imported/4e2d30079f5d2d0cd3af312d78c844bc667f41d4941c76132731ecd7484efea8.jpg | Escritor brasileiro em seu escritório discutindo uma obra literária com colaboradores — processo de escrita em ação | Seq 4 — textualização | Fonte: Diversos - Wikimedia Commons | | https://storage.googleapis.com/teachy-classroom-contents/images/imported/fa52ebddec1b33119f53d4f7328a24b0205a9bbe2553bd60ab1a5600147b145d.jpg | Retrato de Machado de Assis, maior expoente da literatura brasileira e cronista de referência | Seq 4 — Perfil do cronista | Fonte: Unknown - Wikimedia Commons |


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