Revolução Industrial: Exercícios
# Revolução Industrial: Exercícios [Sequence 6] ## Exercícios Ao longo deste capítulo, vocês investigaram as origens da Revolução Industrial na Inglaterra, as transformações que ela impôs ao trabalho e ao espaço urbano, e os seus impactos sociais, ambientais e culturais — incluindo as primeiras formas de resistência operária e a circulação de novas ideias pelo mundo. Os exercícios a seguir articulam esses temas, pedindo que você mobilize o que foi aprendido nos três subcapítulos anteriores para analisar fontes, comparar perspectivas e construir argumentos. --- **Questão 1** [I1] Os cercamentos (enclosures) que varreram o campo inglês entre os séculos XVII e XVIII expulsaram milhares de camponeses de terras que antes usavam coletivamente. O historiador econômico Robert C. Allen registrou que esse processo concentrou propriedade fundiária nas mãos de poucos, ao mesmo tempo que gerou uma massa de trabalhadores sem terra disponíveis para o trabalho assalariado nas cidades.[[2]][[3]] Com base nesse contexto, analisa-se que os cercamentos contribuíram para o surgimento da Revolução Industrial porque A) garantiram ao Estado inglês o controle direto sobre a produção agrícola, financiando as primeiras fábricas. B) criaram um contingente de trabalhadores sem propriedade que migraram para as cidades em busca de emprego nas fábricas. C) destruíram as rotas de comércio de lã, forçando os grandes proprietários a investir em manufaturas urbanas. D) elevaram a produtividade agrícola a ponto de dispensar a importação de alimentos de outros países. **Gabarito:** B **Resolução:** A alternativa B avalia a relação entre cercamentos e formação do proletariado: a expulsão dos camponeses das terras comunais gerou trabalhadores sem meios próprios de subsistência, que passaram a vender sua força de trabalho nas fábricas — condição essencial ao sistema fabril. A alternativa A é incorreta porque os cercamentos foram processos privados de concentração fundiária, não iniciativas estatais de financiamento industrial. A alternativa C inverte a relação: a demanda têxtil estimulou a industrialização. A alternativa D confunde mecanização agrícola com motivação migratória — foi a ausência de terra, não a abundância de alimentos, que empurrou os camponeses para as cidades. --- **Questão 2** [I2] O capital mercantil acumulado durante séculos de comércio colonial foi uma das condições que possibilitaram a Revolução Industrial. O economista Robert C. Allen argumentou que "commerce rather than science caused the industrial revolution", indicando que as redes comerciais preexistentes — não apenas as invenções técnicas — criaram a demanda, o capital e os mercados necessários para que o sistema fabril se expandisse.[[2]] Considerando essa perspectiva, infere-se que A) o avanço científico foi irrelevante para a Revolução Industrial, pois as inovações técnicas tinham origem puramente comercial. B) as redes comerciais globais funcionaram como condição prévia para a industrialização, ao garantir mercados para os manufaturados e capital para investir em máquinas. C) a Revolução Industrial foi produto do comércio colonial apenas, sem contribuição alguma das inovações técnicas como a máquina a vapor. D) os lucros do comércio financiaram apenas as primeiras fábricas têxteis, sem influência sobre a circulação posterior de produtos industrializados. **Gabarito:** B **Resolução:** A alternativa B avalia equilibradamente a relação entre capital mercantil e industrialização: o comércio criou mercados, capital e cadeias de abastecimento sem os quais as inovações técnicas não teriam escala para se desenvolver. As alternativas A e C distorcem o argumento de Allen, que inverte a hierarquia convencional mas não nega a importância da técnica — ambas absolutizam indevidamente o papel comercial. A alternativa D restringe o papel do comércio ao financiamento inicial, ignorando sua função estrutural contínua na circulação de produtos industrializados. --- **Questão 3** [I3] O sociólogo Tomás Franco e a pesquisadora Graça Druck registraram que "a Revolução Industrial Inglesa promoveu profundas alterações nas relações de produção e capital" e que "padrões de industrialização criaram riscos específicos para trabalhadores e ambiente"[[5]] (*Ciência & Saúde Coletiva*, 1998). Esses riscos incluíam jornadas de até 16 horas diárias, ausência de equipamentos de proteção, e trabalho em ambientes com poeira, fumaça e calor excessivo. Considerando esse quadro, analisa-se que as condições de trabalho nas fábricas da primeira Revolução Industrial A) eram comparáveis às do trabalho artesanal doméstico anterior, diferindo apenas no volume de produção. B) tornavam as fábricas ambientes de risco para trabalhadores adultos, mas não afetavam crianças, cujas tarefas eram consideradas leves. C) resultavam de uma preferência dos próprios trabalhadores, que consideravam a fábrica mais estável que a agricultura. D) expunham trabalhadores a riscos físicos, ambientais e de saúde que não existiam no sistema doméstico de produção anterior. **Gabarito:** D **Resolução:** A alternativa D avalia que a concentração da produção em fábricas criou riscos específicos inexistentes no trabalho doméstico disperso: poeira têxtil, fumaça, ruído de máquinas e risco de acidentes com equipamentos sem proteção. A alternativa A é incorreta porque as condições fabris eram substancialmente mais degradantes que o trabalho artesanal — a questão não é apenas volume, mas o ritmo imposto pela máquina e a ausência de autonomia. A alternativa B é incorreta porque o trabalho infantil era amplamente documentado e suas tarefas eram fisicamente perigosas. A alternativa C ignora que os cercamentos eliminaram o acesso à terra, tornando o trabalho fabril uma necessidade, não uma preferência. --- **Questão 4** [P1] **Images:** - [https://storage.googleapis.com/teachy-classroom-contents/images/imported/55541f01c8b16479a8afb39c68250ac39fe3511acac31cd54e3d29f306502e2e.jpg](https://storage.googleapis.com/teachy-classroom-contents/images/imported/55541f01c8b16479a8afb39c68250ac39fe3511acac31cd54e3d29f306502e2e.jpg) — Ilustração de fábrica têxtil do século XIX mostrando crianças e adultos trabalhando em máquinas de fiação sob a supervisão de figuras em trajes formais. A cena documenta as condições de trabalho e a presença de trabalho infantil nas indústrias do período. | Attribution: Fonte: Wikimedia Commons - "Child Laborers and Adults in a 19th-Century Textile Factory" - CC BY 4.0 Observe a ilustração acima, produzida na Inglaterra do século XIX, e leia o trecho a seguir. > "A exploração das crianças nas fábricas refletia as estratégias econômicas de sobrevivência das famílias operárias. O salário das crianças, mesmo mínimo, era parte necessária da renda doméstica." > > HUMPHRIES, J. *Childhood and child labour in the British Industrial Revolution*. Cambridge University Press, 2010 (adaptado).[[7]] Considerando a fonte visual e o trecho acima, analisa-se que o trabalho infantil nas fábricas inglesas do século XIX A) era uma prática marginal, restrita a famílias em situação de extrema pobreza, sem relação com a organização geral do sistema fabril. B) decorria de uma falha individual de consciência moral dos proprietários de fábricas, e não de condições estruturais do capitalismo industrial. C) estava integrado às estratégias de sobrevivência das famílias operárias e à demanda das fábricas por mão de obra barata para tarefas específicas. D) foi eliminado rapidamente após as primeiras denúncias públicas, demonstrando a capacidade de autorregulação do sistema industrial. **Gabarito:** C **Resolução:** A alternativa C avalia a articulação entre os dois fatores estruturais que sustentavam o trabalho infantil: a demanda das fábricas por mão de obra barata para tarefas específicas (limpeza sob máquinas, supervisão de fios) e a necessidade econômica das famílias operárias, cujos salários adultos eram insuficientes para a sobrevivência. A alternativa A é incorreta porque o trabalho infantil era generalizado, não marginal. A alternativa B reduz a questão à moralidade individual, ignorando os condicionantes estruturais. A alternativa D é incorreta porque a Factory Act de 1833 veio após décadas de pressão operária, não de autorregulação espontânea. --- **Questão 5** [P2] A Revolução Industrial não transformou apenas as relações de trabalho — ela reorganizou o espaço geográfico em escala global. A demanda por algodão cru nas fábricas têxteis inglesas conectava Birmingham e Manchester às plantações das Américas, ao trabalho de africanos escravizados e às rotas atlânticas de comércio.[[1]] Ao mesmo tempo, os tecidos produzidos nas fábricas inglesas chegavam às colônias africanas e asiáticas a preços que destruíam manufaturas locais. Com base nesse quadro, analisa-se que a circulação de produtos industrializados A) beneficiou igualmente todas as regiões do mundo ao tornar bens manufaturados acessíveis a populações que antes não tinham acesso a eles. B) integrou economicamente o mundo, mas de forma assimétrica, subordinando colônias fornecedoras de matérias-primas aos centros industriais europeus. C) eliminou as diferenças de desenvolvimento entre nações, pois a produção em larga escala reduziu os custos de todos os bens para todos os consumidores. D) fortaleceu as manufaturas locais das colônias, porque a concorrência com produtos europeus estimulou a modernização das técnicas tradicionais. **Gabarito:** B **Resolução:** A alternativa B avalia a assimetria estrutural da circulação industrial global: a integração comercial ocorreu em condições que beneficiavam os centros industriais e aprofundavam a dependência das colônias. A alternativa A ignora essa assimetria — a acessibilidade dos manufaturados veio acompanhada da destruição de produção local e da exploração colonial. A alternativa C é incorreta porque a produção em escala não eliminou desigualdades de desenvolvimento, mas as aprofundou. A alternativa D inverte o que a historiografia documenta: a concorrência com produtos europeus destruiu, não estimulou, as manufaturas coloniais.[[1]] --- **Questão 6** [D1] **Images:** - [GENERATE] Gráfico de linhas mostrando a evolução dos salários reais de trabalhadores industriais britânicos entre 1780 e 1850, em contraste com o crescimento da produção industrial no mesmo período. O gráfico deve mostrar a "pausa de Engels": linha de produção industrial crescendo acentuadamente, linha de salários reais estagnada ou levemente decrescente até cerca de 1840. Eixo X: anos (1780–1850); Eixo Y: índice (base 100 = 1780). Estilo de relatório técnico-histórico, paleta sóbria em azul e laranja, legenda em português. Todo texto em português brasileiro. | salarios-producao-ri.png | 16:9 O historiador Robert C. Allen identificou o que chamou de "pausa de Engels": entre aproximadamente 1780 e 1840, a produção industrial britânica cresceu enormemente, mas os salários reais dos trabalhadores permaneceram estagnados ou caíram. "Income expanded at the expense of labour and land"[[8]], escreveu Allen, mostrando que os lucros da industrialização se concentraram nos proprietários do capital, não nos trabalhadores. Observe o gráfico acima. Considerando esse fenômeno, argumente: de que forma a estagnação salarial durante a Revolução Industrial contribuiu para o surgimento das primeiras organizações operárias? Use ao menos duas evidências discutidas nos subcapítulos anteriores para sustentar sua resposta. **Resolução esperada:** Uma resposta completa articula a relação causal entre condições materiais e organização coletiva. O estudante deve mostrar que: (1) trabalhadores vivenciavam deterioração concreta — salários estagnados, jornadas longas, trabalho infantil, insalubridade nas fábricas e nas cidades; (2) essa experiência compartilhada gerou consciência coletiva e formas de resistência, do ludismo às sociedades de socorro mútuo e sindicatos; (3) a concentração dos trabalhadores nas fábricas, diferente do trabalho doméstico disperso, facilitou a comunicação e a organização. Evidências válidas incluem dados de mortalidade infantil nas cidades industriais, Leis das Fábricas como resposta às pressões operárias, o movimento cartista e o surgimento do socialismo. Respostas que identificam apenas o descontentamento sem articulá-lo às estruturas coletivas de resistência recebem crédito parcial. --- **Questão 7** [P3] A pesquisadora Cristina Pott e Carlos Estrela observaram que "A Revolução Industrial promoveu uma transformação profunda na relação entre os humanos e o meio ambiente" e que "quase três séculos se passaram desde a Revolução Industrial, porém a questão ambiental continua central"[[4]] (*Estudos Avançados*, 2017). Considerando essa afirmação, identifica-se que o principal legado ambiental da Revolução Industrial foi A) a criação de tecnologias de reflorestamento que compensaram os danos causados pela expansão das fábricas. B) o início do uso intensivo de combustíveis fósseis, cujas consequências — como mudanças climáticas e poluição — permanecem como desafios do presente. C) a eliminação gradual das doenças urbanas, à medida que as cidades industriais desenvolveram sistemas de saneamento para compensar a poluição. D) o despertar imediato das populações para os riscos da poluição industrial, que levou à criação de legislações ambientais ainda no século XIX. **Gabarito:** B **Resolução:** A alternativa B avalia a continuidade histórica do legado ambiental: o uso em massa de carvão e combustíveis fósseis iniciado na Revolução Industrial é a raiz histórica das mudanças climáticas e da poluição que ainda constituem desafios centrais, como os próprios autores afirmam. A alternativa A é incorreta porque não existiram tecnologias sistemáticas de reflorestamento — a devastação ambiental foi consequência não mitigada. A alternativa C é incorreta porque as doenças urbanas aumentaram nas primeiras décadas; melhorias sanitárias vieram décadas depois. A alternativa D é incorreta porque a conscientização foi lenta e fragmentada, não imediata ou generalizada. --- **Questão 8** [D2] **Images:** - [https://storage.googleapis.com/teachy-classroom-contents/images/imported/f587f7c7f197d39a4dbefbca406eba09405f16bebad451345441ee0861be7be9.jpg](https://storage.googleapis.com/teachy-classroom-contents/images/imported/f587f7c7f197d39a4dbefbca406eba09405f16bebad451345441ee0861be7be9.jpg) — Fotografia de 1909 de uma criança trabalhadora em uma fábrica de algodão na Geórgia, EUA. A criança veste roupas simples e desgastadas; ao fundo, fileiras de máquinas de fiar com bobinas. Documentação fotográfica de Lewis Hine sobre o trabalho infantil em contexto industrial. | Attribution: Fonte: Lewis Hine - "Child Labor during the Industrial Revolution" - World History Encyclopedia A historiadora Jane Humphries documentou que crianças trabalhadoras nas fábricas britânicas do início do século XIX frequentemente tinham entre 5 e 10 anos. Seu estudo mostrou que "infant and childhood mortality rose in factory towns under industrial conditions"[[7]] e que o trabalho infantil integrava as estratégias econômicas de sobrevivência das famílias operárias.[[6]] Observe a fotografia acima. A partir das informações do texto e da imagem, analise: o trabalho infantil nas fábricas foi resultado de qual combinação de fatores? Identifique pelo menos dois fatores estruturais — um relacionado à organização do trabalho e outro relacionado às condições econômicas das famílias operárias. **Resolução esperada:** Uma resposta completa articula ao menos dois fatores estruturais: (1) no plano da organização do trabalho — as fábricas demandavam mão de obra barata para tarefas específicas, e os proprietários preferiam crianças por pagarem salários menores e por sua menor capacidade de resistência; (2) no plano das condições econômicas — a "pausa de Engels" tornava os salários adultos insuficientes para a sobrevivência familiar, e o salário das crianças era parte necessária da renda doméstica. O estudante pode mencionar ainda a ausência de legislação protetora até a Factory Act de 1833 e o precedente do trabalho infantil na agricultura. Respostas que tratam o trabalho infantil apenas como crueldade individual, sem articular os fatores estruturais, recebem crédito parcial. --- **Questão 9** [P4] As primeiras organizações operárias do século XIX adotavam formas muito diversas de resistência à industrialização. Os ludistas destruíam máquinas nas fábricas têxteis inglesas a partir de 1811. O movimento cartista reunia trabalhadores em torno de uma Carta do Povo com demandas políticas — como o sufrágio universal masculino. As sociedades de socorro mútuo organizavam trabalhadores para garantir auxílio financeiro em casos de doença ou acidente. Em 1848, Karl Marx e Friedrich Engels publicaram o *Manifesto Comunista*, propondo uma análise estrutural do capitalismo industrial. Com base nesse quadro, avalia-se que o ludismo e outras formas de resistência operária do século XIX A) eram movimentos exclusivamente violentos, sem propostas de transformação social ou trabalhista. B) expressavam apenas a recusa à modernidade tecnológica, sem conexão com as condições materiais de trabalho e de vida. C) articulavam, de diferentes maneiras, a contestação às transformações impostas pela industrialização — tanto no trabalho quanto no espaço vivido. D) antecipavam a criação de partidos operários que tomariam o poder em países europeus ainda no século XIX. **Gabarito:** C **Resolução:** A alternativa C avalia a diversidade e coerência das resistências operárias: elas contestavam as consequências da industrialização — nas condições de trabalho, nos salários, na degradação urbana — por meios distintos, do confronto direto à organização política e intelectual. A alternativa A simplifica a resistência como apenas violenta, ignorando o cartismo, os sindicatos e as sociedades de socorro mútuo. A alternativa B é incorreta porque o ludismo contestava efeitos materiais — perda de emprego, redução de salários —, não a tecnologia em abstrato. A alternativa D extrapola o período e o escopo: a conquista do poder por partidos operários ocorreu em condições e períodos posteriores. --- **Questão 10** [D3] **Images:** - [GENERATE] Mapa do Atlântico no século XIX mostrando as principais rotas de circulação ligadas à Revolução Industrial: setas indicando o fluxo de algodão cru das Américas para a Inglaterra, de tecidos manufaturados ingleses para colônias africanas e asiáticas, e de trabalhadores europeus emigrantes para as Américas. Distinguir visualmente os fluxos de mercadorias, de pessoas livres e de africanos escravizados com cores e símbolos diferentes. Estilo cartográfico histórico-educativo, legenda em português. Todo texto em português brasileiro. | mapa-circulacao-ri.png | 16:9 A Revolução Industrial reorganizou a circulação de povos em escala global. Internamente à Inglaterra, camponeses expulsos pelos cercamentos migraram para cidades industriais como Manchester e Birmingham. Externamente, milhões de europeus emigraram para as Américas em busca de oportunidades. Ao mesmo tempo, a demanda por algodão nas fábricas inglesas intensificou a escravidão nas Américas, forçando o deslocamento compulsório de africanos escravizados para lavouras do sul dos Estados Unidos e do Brasil.[[1]] Observe o mapa acima. Considerando esses diferentes fluxos populacionais, argumente: de que maneiras a Revolução Industrial produziu circulações de povos profundamente desiguais? Identifique pelo menos dois tipos de circulação e compare as condições em que ocorreram. **Resolução esperada:** Uma resposta completa compara ao menos dois fluxos diferenciando suas condições: (1) a migração interna de camponeses ingleses para cidades — estruturalmente forçada pelos cercamentos, mas realizada como trabalhadores livres que vendiam sua força de trabalho; (2) o deslocamento forçado de africanos escravizados — radicalmente distinto porque negava toda liberdade e autonomia; (3) a emigração europeia para as Américas — movimento mais voluntário, incentivado por países receptores. O estudante deve mostrar que a Revolução Industrial produziu mobilidades hierarquizadas: alguns circulavam por necessidade econômica, outros como mercadoria humana. Respostas que identificam apenas um tipo de circulação ou não diferenciam as condições recebem crédito parcial. --- **Questão 11** [P5] As primeiras leis de proteção ao trabalhador industrial surgiram na Inglaterra a partir da década de 1830, como resposta às pressões operárias e à visibilidade pública das condições fabris. A *Factory Act* de 1833 proibiu o trabalho de crianças menores de nove anos nas fábricas têxteis e limitou a jornada de crianças entre 9 e 13 anos a oito horas diárias. Outras leis se seguiram, regulando jornadas de adultos e condições de segurança. Com base nesse contexto, infere-se que o surgimento de legislação trabalhista na Inglaterra do século XIX A) foi uma iniciativa espontânea dos proprietários de fábricas, preocupados com a produtividade a longo prazo de seus trabalhadores. B) resultou da organização e pressão dos próprios trabalhadores, que tornaram públicas as condições de trabalho e exigiram regulamentação do Estado. C) foi imposto por outros países europeus que já tinham legislação trabalhista mais avançada e pressionaram a Inglaterra a acompanhá-los. D) decorreu de escândalos jornalísticos, sem que os trabalhadores tivessem papel ativo na conquista de seus direitos. **Gabarito:** B **Resolução:** A alternativa B avalia corretamente o papel da organização operária: petições, greves, o cartismo e publicações operárias tornaram visíveis as condições de trabalho e criaram o contexto político para a regulamentação estatal. A alternativa A é incorreta porque os proprietários industriais, em geral, opuseram-se à regulamentação, defendendo o livre mercado. A alternativa C é incorreta porque a Inglaterra era, nesse período, a nação industrialmente mais avançada da Europa — a pressão veio de dentro do próprio processo social inglês. A alternativa D reduz a conquista de direitos ao jornalismo, ignorando a pressão coletiva organizada dos trabalhadores. --- [INTERACTIVE: d-rp | Escaneie o código e responda às questões desta seção na plataforma Teachy para receber correção automática e comentários explicativos.]
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