Sujeito e Tipos de Sujeito

# Sujeito e Tipos de Sujeito [Sequence 1: (a) Contextualized Situation] Eu me lembro de uma aula em Hogwarts em que a professora McGonagall escreveu no quadro uma frase misteriosa: *"Chegou sem avisar."* Ela nos olhou e perguntou: "Quem chegou?" Ninguém sabia responder com certeza, porque a frase não dizia o nome de ninguém. Era como uma missão detetivesca — a resposta estava escondida em algum lugar, esperando para ser descoberta. Você já leu uma frase e ficou com aquela sensação de que faltava alguma coisa? Ou percebeu que, mesmo sem um nome explícito, você conseguia entender perfeitamente sobre quem o texto estava falando? Isso acontece porque a língua portuguesa tem uma estrutura muito esperta: o sujeito de uma oração nem sempre aparece à vista de todos. Às vezes, ele se esconde — e cabe a você encontrá-lo. Neste capítulo, vamos investigar juntos como a oração se organiza e qual é o papel do sujeito nessa estrutura. Para isso, vamos ler um trecho do conto *"Conto de Escola"*, do escritor brasileiro Machado de Assis. É como entrar numa sala de aula do século XIX e perceber que as mesmas perguntas que eu faço hoje — quem age? quem é o foco da história? — já estavam presentes naquele tempo. **Pergunta orientadora:** Quem age ou é o foco da ação em cada frase que você lê? Em resumo, saber identificar o sujeito é como aprender a enxergar quem está nos bastidores de cada oração — mesmo quando esse alguém não anuncia a própria presença. --- [Sequence 2] Antes de avançar, eu quero saber o que você já carrega sobre esse assunto. Pense comigo: quando você lê uma frase, como sabe de quem o texto está falando? [D1] Pense em uma frase simples do seu dia a dia, como "Minha mãe fez bolo" ou "Choveu muito ontem". Em qual dessas frases é possível identificar quem realizou a ação? O que isso diz sobre as frases? Em resumo, sua intuição sobre quem pratica a ação já é o primeiro passo para identificar o sujeito — e agora vamos transformar essa intuição em conhecimento preciso. --- [Sequence 4] ## O que é o sujeito da oração? Eu aprendi em Hogwarts que toda investigação começa com a pergunta certa. Toda oração, em geral, gira em torno de dois grandes eixos: o **sujeito** e o **predicado**. O predicado é a parte que traz uma informação nova — geralmente o verbo e tudo que o acompanha. Já o sujeito é o termo sobre o qual essa informação é dada: é aquele ou aquilo de quem se fala na oração. Para encontrar o sujeito, a pergunta é simples e funciona como um feitiço revelador: *"Quem?" ou "O quê?" + verbo*. Se eu pergunto "Quem chegou?", a resposta é o sujeito. Experimentou isso? Você vai ver que funciona em qualquer oração. Antes de aprender os tipos de sujeito, leia o trecho do conto que usaremos como ponto de partida neste capítulo: --- > **Conto de Escola** (trecho) > > Subi a escada com cautela, para não ser ouvido do mestre, e cheguei a tempo; ele entrou na sala três ou quatro minutos depois. Entrou com o andar manso do costume, em chinelas de cordovão, com a jaqueta de brim lavada e desbotada, calça branca e tesa e grande colarinho caído. Chamava-se Policarpo e tinha perto de cinqüenta anos ou mais. Uma vez sentado, extraiu da jaqueta a boceta de rapé e o lenço vermelho, pô-los na gaveta; depois relanceou os olhos pela sala. Os meninos, que se conservaram de pé durante a entrada dele, tornaram a sentar-se. Tudo estava em ordem; começaram os trabalhos. > > — Seu Pilar, eu preciso falar com você, disse-me baixinho o filho do mestre. > > Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado, inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinqüenta minutos; vencia com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro. Reunia a isso um grande medo ao pai. Era uma criança fina, pálida, cara doente; raramente estava alegre. Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais severo com ele do que conosco. > > — O que é que você quer? > — Logo, respondeu ele com voz trêmula. > > Começou a lição de escrita. Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo caso ingênua. > > Olhei para ele; estava mais pálido. Então lembrou-me outra vez que queria pedir-me alguma coisa, e perguntei-lhe o que era. *ASSIS, Machado de. "Conto de Escola". In: Várias histórias. Rio de Janeiro: Laemmert, 1896.* --- [chapter-section: Perfil] **Machado de Assis** (1839–1908) é considerado um dos maiores escritores da literatura brasileira. Nascido no Rio de Janeiro, filho de um mestiço e de uma portuguesa, tornou-se escritor autodidata e fundador da Academia Brasileira de Letras. Seus contos e romances, como *Dom Casmurro* e *Memórias Póstumas de Brás Cubas*, são lidos até hoje em todo o mundo. --- Observe como o conto é construído com muitas frases curtas e rítmicas. Em algumas, o personagem que age está claramente nomeado; em outras, é preciso adivinhar quem é o sujeito pelo contexto ou pela forma do verbo. Esse é exatamente o fenômeno que vamos estudar. ## Sujeito simples O **sujeito simples** é aquele que possui um único núcleo — ou seja, um único substantivo, pronome ou palavra que desempenha a função de sujeito. Você consegue identificar o sujeito nesta frase do conto? *"Os meninos tornaram a sentar-se."* Aqui, o sujeito é *os meninos*. O núcleo desse sujeito é o substantivo *meninos*; *os* é o artigo que o acompanha como modificador. Um único núcleo: sujeito simples. Do conto, há outro exemplo claro: *"O mestre era mais severo com ele do que conosco."* Quem era severo? *O mestre* — um núcleo só, sujeito simples. Em resumo, o sujeito simples tem sempre um único elemento nuclear, independentemente dos modificadores que o acompanham. **Images:** - GENERATE: Ilustração colorida mostrando a oração "Os meninos tornaram a sentar-se" com o sujeito sublinhado e uma seta rotulada "núcleo" apontando para "meninos", estilo infográfico educacional para 8º ano | sujeito-simples-infografico.png | 3:2 ## Sujeito composto O **sujeito composto** possui dois ou mais núcleos, geralmente ligados por conjunções como *e*, *ou*, *nem*. Pense nele como um grupo que compartilha a mesma ação: nenhum dos membros age sozinho — todos são, juntos, o sujeito da oração. No trecho do conto, podemos construir um exemplo baseado nos próprios personagens: *"Policarpo e Raimundo eram figuras centrais da escola."* Os núcleos são dois — *Policarpo* e *Raimundo*, ambos personagens do conto de Machado de Assis — e o verbo vai para o plural, concordando com o conjunto. Quando você identificar dois núcleos ligados por conjunção, já sabe: é sujeito composto. Em resumo, o sujeito composto reúne dois ou mais núcleos numa mesma função — e o verbo sempre concordará com esse conjunto. ## Sujeito oculto (ou elíptico) O **sujeito oculto** — também chamado de *elíptico*, *subentendido* ou *desinencial* — é aquele que não aparece escrito na oração, mas pode ser identificado pela desinência verbal (a terminação do verbo) ou pelo contexto. Olhe o início do conto: *"Subi a escada com cautela."* Quem subiu? Não há um nome explícito — mas a terminação *-i* do verbo *subi* só ocorre na primeira pessoa do singular. O sujeito é, portanto, *eu*. A oração não precisa dizer "eu subi" porque a forma verbal já carrega essa informação. Outro exemplo do mesmo trecho: *"Olhei para ele."* Novamente, a terminação verbal revela o sujeito oculto *eu*. Em resumo, quando o sujeito não está escrito, a forma verbal é a chave para encontrá-lo — e o contexto confirma a leitura. [chapter-section: Sabia?] Em muitas línguas, como o inglês, o sujeito precisa sempre estar expresso: não se diz *"Went to school"*, é obrigatório dizer *"I went to school"*. O português é uma *língua de sujeito nulo* — permite omitir o pronome quando a forma verbal já indica quem é o sujeito. Por isso o sujeito oculto é tão frequente na nossa língua! --- Veja no quadro a seguir como os três tipos se distinguem, todos com exemplos tirados do conto de Machado de Assis: | Tipo de sujeito | Característica | Exemplo do conto | |---|---|---| | Simples | Um único núcleo | *Os meninos tornaram a sentar-se.* | | Composto | Dois ou mais núcleos | *Policarpo e Raimundo eram figuras centrais da escola.* (construído com os personagens do conto) | | Oculto (elíptico) | Não aparece escrito; deduz-se pelo verbo ou contexto | *Subi a escada com cautela.* (sujeito: eu) | Agora que eu te mostrei os três tipos, vamos ver como encontrar o sujeito em qualquer oração passo a passo — como um mapa do tesouro que te guia até a resposta: **Passo 1:** Identifique o verbo da oração. **Passo 2:** Pergunte *"Quem?"* ou *"O quê?"* antes do verbo. **Passo 3:** A resposta é o sujeito. Agora verifique: esse sujeito está escrito na oração? **Passo 4:** Se sim, observe se há um ou mais núcleos (simples ou composto). Se não, é oculto — e a forma verbal indica a pessoa gramatical. [INTERACTIVE: a1-mm | Explore o mapa mental interativo sobre sujeito e tipos de sujeito na plataforma Teachy] --- ## Na prática Vamos investigar isso juntos? As questões abaixo partem do trecho do *"Conto de Escola"* que você acabou de ler — aplique o que aprendemos e encontre os sujeitos escondidos. [P1] (DOK 1) Leia este trecho do conto "Conto de Escola", de Machado de Assis: > "Os meninos, que se conservaram de pé durante a entrada dele, tornaram a sentar-se." Identifique o sujeito da oração principal: "Os meninos tornaram a sentar-se." (A) tornaram a sentar-se (B) dele (C) Os meninos (D) a entrada (E) de pé **Gabarito:** C --- [P2] (DOK 1) Leia as orações abaixo, extraídas ou adaptadas do texto de Machado de Assis, e classifique o sujeito de cada uma como **simples**, **composto** ou **oculto (elíptico)**: I. "Chamava-se Policarpo e tinha perto de cinquenta anos." II. "O mestre era mais severo com ele do que conosco." III. "Eu e o Raimundo ficamos em silêncio." Assinale a alternativa que apresenta a classificação correta, na ordem I, II e III: (A) simples — composto — oculto (B) oculto — simples — composto (C) composto — simples — oculto (D) simples — oculto — composto (E) oculto — composto — simples **Gabarito:** B --- [P3] (DOK 2) Releia este período do conto: > "Subi a escada com cautela, para não ser ouvido do mestre, e cheguei a tempo." a) Qual é o sujeito da oração "Subi a escada com cautela"? Que tipo de sujeito é esse? b) Como você identificou esse sujeito, se ele não está expresso na frase? *Dica: Observe a desinência verbal de "subi" — ela indica a pessoa gramatical do sujeito. Tente conjugar o verbo e ver a quem ele se refere.* --- [P4] (DOK 2) Leia as duas orações abaixo: - Oração A: "Raimundo gastava duas horas em reter aquilo que a outros levava apenas trinta minutos." - Oração B: "Era uma criança fina, pálida, cara doente." Compare as duas orações quanto ao sujeito: a) Identifique o sujeito expresso na Oração A. b) Na Oração B, o sujeito não está explícito. A partir do contexto do parágrafo, indique quem é o sujeito oculto e como o leitor consegue recuperá-lo. *Dica: Leia o parágrafo inteiro em que a Oração B aparece. Quem está sendo descrito nas frases anteriores?* --- ## Exercícios Agora você vai aplicar o que aprendeu em contextos variados. As questões abaixo envolvem tanto o *"Conto de Escola"* quanto um novo trecho literário, para que você transfira o conhecimento a situações que ainda não viu. Leia com atenção antes de responder. **Texto para as questões 1 e 2** Leia o trecho abaixo, do conto *"Missa do Galo"*, também de Machado de Assis — publicado em 1899 na coletânea *Páginas Recolhidas*: > "Não me recordo que horas eram quando me deitei; não tinha relógio. Podia ser meia-noite. A casa estava em sossego. Eu tinha combinado com um vizinho chamado Menezes, ir à missa do galo, e o acordo foi que ele me acordasse." *ASSIS, Machado de. "Missa do Galo". In: Páginas Recolhidas. Rio de Janeiro: Garnier, 1899.* [I1] (DOK 3) Leia o trecho a seguir, do conto "Conto de Escola", de Machado de Assis: > "Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção." Nessa passagem, o narrador-personagem encadeia três orações em sequência. Analisando os sujeitos dessas orações, é correto afirmar que: (A) todas as orações apresentam sujeito simples explícito, pois o narrador sempre se nomeia antes do verbo. (B) as orações apresentam sujeito oculto, recuperável pelo contexto, pois o pronome "eu" está subentendido nas formas verbais "digo", "era" e "tenho". (C) a oração "era dos mais inteligentes" tem sujeito indeterminado, porque qualquer pessoa poderia ocupar essa posição. (D) o sujeito de "era dos mais inteligentes" é "estilo", referente mais próximo antes do verbo. (E) o sujeito composto é formado por "eu" e "estilo", pois ambos são referenciados no período. **Gabarito:** B --- [I2] (DOK 2) Leia este trecho do conto: > "Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado, inteligência tarda." O período acima é formado por duas orações coordenadas. a) Identifique o sujeito de cada oração. b) Classifique os dois sujeitos quanto ao tipo (simples, composto ou oculto/elíptico). [LINES: 6] --- [I3] (DOK 2) Considere a seguinte situação: um estudante do 8º ano precisava reescrever o trecho abaixo, substituindo o sujeito simples por um sujeito composto, sem alterar o sentido principal da frase. Trecho original: > "O mestre entrou com o andar manso do costume." Reescrita do estudante: > "O mestre e a assistente entraram com o andar manso do costume." Explique o que muda na estrutura da oração quando o sujeito simples é substituído por um sujeito composto. Considere especialmente o que acontece com o verbo. [LINES: 5] --- [I4] (DOK 3) Leia o parágrafo abaixo, retirado do conto: > "Olhei para ele; estava mais pálido. Então lembrou-me outra vez que queria pedir-me alguma coisa, e perguntei-lhe o que era." Nesse trecho, há diferentes tipos de sujeito nas orações. Identifique os sujeitos das orações "Olhei para ele", "estava mais pálido" e "lembrou-me" e, para cada uma, indique o tipo de sujeito. Em seguida, explique como o uso variado de sujeitos — expressos, ocultos — contribui para a fluidez e coesão do texto literário. [LINES: 10] [INTERACTIVE: d-rp | Escaneie para responder estes exercícios na Teachy e receber correção automática] --- [chapter-section: Nossa língua na rua] Preste atenção nas mensagens que você recebe ou envia no dia a dia. Em conversas de WhatsApp, é comum frases como: *"Cheguei!"*, *"Vamos?"*, *"Esqueci o caderno em casa."* Essas frases têm sujeito? Qual é o tipo? Observe também manchetes de jornal ou placas de aviso — nelas, o sujeito costuma ser omitido para ganhar objetividade. Traga um exemplo para discutir com a turma! --- **Images:** - GENERATE: Ilustração mostrando um fluxograma com as etapas para identificar o tipo de sujeito: caixa "Encontrei o sujeito?" → "Está escrito na oração?" → "Tem mais de um núcleo?", com setas e caixas coloridas em estilo infográfico educacional para 8º ano | fluxograma-tipos-sujeito.png | 2:3


Iara Tip

Precisa de slides customizados para suas aulas?

Eu consigo gerar slides, atividades, resumos e 60+ tipos de materiais. Isso mesmo, nada de noites mal dormidas por aqui :)

Community img

Faça parte de uma comunidade de professores direto no seu WhatsApp

Conecte-se com outros professores, receba e compartilhe materiais, dicas, treinamentos, e muito mais!